A menor distância entre dois pontos é uma pergunta.

Posted by on Jan 24, 2013 in Blog, eu que fiz, texto | One Comment

Quando o trânsito transborda em grandes cidades como a minha e a sua, o tempo congela em algum outro planeta. Quem está ao volante se vê indo de zero a cem na fúria a cada freada, a cada sinal que amarela. Quem tem um pouco de juízo aprendeu que paciência é desistir da raiva e aproveita o tempo disponível do deslocamento entre o ponto A e o ponto B para fazer algo útil. Como ela estava fazendo, por exemplo.

Em uma breve análise, se deu conta de que sua vida era interessante. Um caso de progresso e desenvolvimento expressos na tangente das realizações profissional e amorosa. Tinha suas reservas consigo mesma, arestas pessoais sendo aparadas nas sessões de terapia e com o auxílio de psicotrópicos, mas até que ia bem. Depois de ser cortada por um infeliz iludido que acha que vai conseguir se movimentar mais rápido mudando de faixas em pleno congestionamento, uma pergunta típica de quadros de entrevista em programas de auditório pipocou em sua cabeça: o que você guardou? Abaixou o som e pensou.

Livros, fotografias e medos. Na verdade, mais medos que livros e fotografias. E note que ela ainda guarda os livros por medo de um dia querer reler e não poder. As fotos estão lá por medo de esquecer rostos, coisas e acontecimentos. E dentre os demais medos, o mais expressivo deles é o de ficar sozinha, sem livros, nem fotografias.

Então o sinal abriu, os carros se mexeram, ela conseguiu engatar a segunda e começou a pensar no que prepararia para o jantar.

 

photo by eve livesey deviant art

photo: eve livesey

1 Comment

  1. Adela Y.
    22/02/2013

    Lindo!!! eu amo.
    Beijos

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