A pessoa certa não existe.

Posted by on Jan 27, 2012 in Blog, vida | No Comments


Sabe quando sua tia, a professora, sua melhor amiga, sua mãe, o cara da novela, os livros, os filmes, a moral da parábola e o horóscopo dizem que você precisa encontrar a pessoa certa? Eles estão todos errados. Redondamente.

Encontrar a pessoa certa significa identificar-se com alguém reciprocamente, dividir medos, alegrias, lalalala na saúde e na doença e todo aquele papo que a gente já conhece. Supostamente, você encontra esse ser e só por isso suas vidas se iluminam e a felicidade inunda todos os espaços entre os pombinhos e blablabla felizes para sempre.

Não é bem assim. Sua vida fica bem mais legal quando você encontra a tal tampa da panela, mas isso não resolve todo o resto. Um exemplo prático: você se casa e dá aquela embarangada clássica. Perde meio guarda-roupa e fica com a auto-estima baixa. Consequentemente, você vira uma pessoa chata. Pessoa chata + pessoa legal = briga. Pessoa chata + pessoa chata = preguiça. E esse foi só um exemplo.

Agora lembra daquela outra coisa que encabeça todo livro de auto-ajuda: “como alguém poderá amar você se você mesmo não se ama?”. Por mais babaquice que isso pareça, é verdade. Mas vamos lá na essência dessa questão voltando ao exemplo supracitado (acho essa palavra muito chique): se você está se odiando porque a bendita calça não entra, fica difícil para o outro te amar. Não porque você está gordo, mas porque você está chato.

Quando você vê que a coisa está preta e precisa tomar uma atitude, é uma boa idéia pedir ajuda. No caso do embarangamento, você poderia ir ao endocrinologista ou ao nutricionista. Você vai. E acha um saco. Vai ter que fazer dieta. Vai ter que fazer academia. Vai ter que isso e aquilo e um monte de coisa que você não tinha. E você até faz, mas faz odiando. Invejando quem não tem que fazer o que você está fazendo. E é assim na primeira, na segunda, na terceira semana. E a atitude se enrosca na preguiça e no “dane-se”. Troque a dieta pelo “parar de fumar”. Ou por “fazer uma pós”. Ou por “aprender espanhol”. Ou por todas aquelas coisas que você promete no começo do ano e que caducam na sua lista de prioridades.

Depois de vinte e sete anos andando por esse mundo, aprendi a sair dessa espiral de auto-boicote. E quem me ensinou isso? As pessoas certas. Além do marido perfeito, encontrei uma psiquiatra genial, uma obstetra que eu adoro, uma nutricionista amiga, uma pediatra feita sob medida, diretores admiráveis e um professor de yoga incrível. E quando você encontra as pessoas certas para sua vida, tudo fica mais fácil. Você simplesmente faz o que tem que ser feito com mais amor. E, principalmente, sua pessoa certa não fica sobrecarregada tendo que aliviar a pressão da sua panela sozinha.

Pensei nisso hoje e entendi por que estou mais feliz.

Img via Ffffound.