Amor de verdade espera.

Posted by on Mar 11, 2012 in Blog, vida | 6 Comments

Estava andando na calçada onde não batia sol, olhando as vitrines, as nuvens e os outros passando. Imaginando que aquele cenário da cidade de sempre, da rotina de sempre, do caminho de todos os dias, tudo isso poderia gritar “surpresa!” e plim. Então um cara do tipo que poderia ser o amor da minha vida veio vindo na minha direção, olhando nos olhos que ficavam bem atrás dos meus óculos.

“Me dá a mão? E um beijo? Vamos ser felizes aqui nessa calçada e no meu apartamento e vamos tocar violão juntos? Olha, vamos ter uma banda e namorar e fazer muito sexo e também vamos viajar e ver uma porção de shows? Vamos? Ah, eu te amo. Me dá a mão? E seu coração?” Mas não, ele não disse isso. Todo esse parágrafo aconteceu na minha cabeça um pouco antes de ele dizer: “seu cadarço, moça”. Falou, passou, foi-se embora.

Outro dia bati no carro de um cara, numa dessas ações estúpidas que você comete sem olhar para TODOS os lados – principalmente o de trás – antes de dar a ré. Depois de praguejar ainda com as mãos no volante, fui tomada por um pensamento supraotimista: “e se eu bati no carro do meu futuro namorado?”. Saí toda desculpa-a-culpa-foi-toda-minha e ele parecia interessante mesmo, pelo menos até abrir a boca e largar um português refugiado, todo lascado e sofrido como se tivesse passado os últimos 10 anos sob o poder das FARC. Esse cara não poderia ser o amor da minha vida, não com aquele português. Fui embora e, uma semana depois, paguei um bom dinheiro no conserto do carro dele. Ligou para agradecer e me chamou para sair, mas, ah… deixa assim, moço, obrigada.

Mas teve um dia em que tudo foi diferente. Cheguei numa balada e, de cara, encontrei uma amiga. Essa amiga tinha um amigo lindo que disse: “Uau! Você é a Gica? Suas músicas são muito legais!”. Em menos de três segundos visualizei nosso casamento, nossos filhos loiros e de olhos azuis, nossa vida em São Paulo. Enquanto isso ele falava que trabalhava com animação, que isso e aquilo, e tudo o que ele dizia era muito legal.

Depois de tanto falar, fomos dançar. Eu deveria estar com um sorriso grande a ponto de abrigar um transatlântico e um animal de porte médio. Já estava anotando nos bloquinhos mentais: dezessete de outubro, o dia em que conheci O cara. Até que ele olhou pra mim com aquele olhar de “vou te beijar agora” e eu olhei pra ele com aquele olhar de “mas só se for agora, meu querido” e orguihjk;djbflsKJDHA;WIORWqroikNFDVCNBV,MNS:LKkdsdklfjbsd. O beijo mais errado da vida. Senti um choque, um bloqueio, um “pára com isso já”. Fiquei transtornada do tipo “ah, legal, vou ali e já volto” e ele confuso do tipo “what the fuck?”.

Desci as escada porque não queria mais vê-lo antes de entender o que havia acontecido e um japonês embriagado cruzou meu caminho dizendo que queria um beijo da Gica. Por algum motivo, beijei. E aí sim. Fez sentido. Foi gostoso. Deu o click. Virou a chavinha. Esse cara era o Fábio Yabu, aquele. Três meses depois estávamos morando juntos. Um ano e meio depois estávamos casando e essa semana comemoramos nossas bodas de algodão em um casamento que fica melhor a cada dia, rumo ao infinito.

Entre o cara da calçada, o da batida e o Fábio houve um caminhão de outros caras, esperanças, tentativas e promessas. Por muitos anos o grande amor da minha vida estava a setecentos quilômetros do meu coração, desenhando quadrinhos, escrevendo livros e criando animações. Hoje estamos colados um no outro, dividindo uma vida que, de tão linda, rendeu até uma filha panda, nossa Luna. Definitivamente, valeu a pena esperar por tudo isso :}

*Minha tatuagem nova: música da thom yorke e trabalho do tinico rosa.

 

 

6 Comments

  1. Fábio Yabu
    12/03/2012

    Cada segundo valeu a pena. Te amo pra sempre.
    :*

  2. Carlos Merigo
    12/03/2012

    Texto foda.

    E posso encher o saco pra sempre dizendo que eu estava nesse dia e “vi” tudo? :P

  3. Gica Trierweiler Yabu
    12/03/2012

    ahahahaha pode! você apadrinhou essa história, carlos roberto!

  4. Bia Carminati
    12/03/2012

    Juro que na parte do cara da balada eu tinha certeza que a reviravolta da trama seria que o cara era gay e, no caso, o Rica Tromm.

  5. Gica Trierweiler Yabu
    12/03/2012

    Cilada, Bino!

  6. Marilia
    12/04/2012

    Que gracinha ;]

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