Aos acadêmicos de comunicação, com carinho. (1)

Posted by on Oct 2, 2010 in Blog, dica da gica, vida | No Comments

Sou publicitária comunicóloga social com habilitação em publicidade e propaganda, diploma emitido pela Universidade Regional de Blumenau. Logo, fui acadêmica de comunicação. Logo, fui absurdamente sem noção.

Em um dado momento do curso, tive que angariar patrocínios para um evento. Minha missão era a de conseguir espaços gratuitos para veicular os comerciais do tal acontecimento. A agência onde eu trabalhava atendia o Grupo RBS e, por conta disso, conhecia vários diretores de veículos do grupo.

Sem pestanejar, peguei o telefone e liguei para o diretor geral da televisão. Foi mais ou menos assim: “e aí, beleza? Então, sabe a gincana? Pois é! A gente tava precisando veicular uns comerciais no jornal, na tv e na rádio. Será que dá pra quebrar essa? Beleza? Mandar um e-mail? Mando, pode deixar.

O e-mail que enviei para ele foi algo do tipo: “opa, só lembrando dos espaços pra gente veicular as peças da gincana. beijo!“. Fiquei esperando pela resposta no mesmo dia e não veio. No dia seguinte também não e nem depois. Acabei cruzando com o senhor em questão em um evento profissional na semana seguinte e fui indagá-lo. Aí eu tomei uma das melhores e mais construtivas broncas da minha vida.

Ele respirou fundo e olhou bem nos meus olhos. Foi categórico: “Gica, você me conhece e tem acesso a mim, mas isso não é desculpa pra você tratar o meu trabalho e os veículos do grupo como se fossem tarefa da escola. Você me fez um pedido de patrocínio com uma ligação ridícula e mandou um e-mail pedindo um favorzinho. Cadê o ofício? Cadê mais informações? Cadê a explicação do evento? Vocês, acadêmicos de comunicação, nunca levam nada a sério“.

Na ocasião, achei um exagero. Hoje eu vejo a bronca do Daniel Bublitz como um dos melhores conselhos que ouvi e por isso replico a história aqui. Acadêmicos de comunicação: levem as coisas a sério. Seus trabalhos, seus professores e, principalmente, os profissionais da área e seus ofícios.

Recebi um e-mail dias atrás de um fulano que nunca vi na vida. Ele estudava na mesma faculdade em que me formei. Pedia que eu convidasse quatro profissionais da agência e um cliente para a “semana da comunicação, aquela que você já conhece”. Isso sem mencionar os milhares de e-mails semanais em tom de brotherhood que recebo de acadêmicos de todo o país, me pedindo desde links de referência a estágio. Tem até gente cara de pau o suficiente para escrever “beleza, meu? posso dar uma passada aí pra bater um papo com o pessoal?”. Não, não pode. Não pode porque eu não sou “meu”, porque aqui não é a casa da sogra, porque não tem pessoal batendo papo.

Eu sei que parece um approach bom: eu mesma fazia isso quando estava na faculdade (como mencionei no início do post, já fui BEM sem noção). Mas não é porque publicitário trabalha de Havaianas que você pode se materializar em uma agência fazendo hang loose.

E por que tudo isso é importante? Porque a gente, os profissinais e as agências, precisa DEMAIS de novos profissionais com noção. Vai por mim: hoje em dia isso vale mais que Photoshop.

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