Aos acadêmicos de comunicação, com carinho. (2)

Posted by on Oct 2, 2010 in Blog, dica da gica, vida | No Comments

Ou: Como conseguir um estágio.

Corrijam-me se estiver enganada, mas o que mais aflige um acadêmico é sua entrada no mercado de trabalho. É o maior paradoxo de todos: você precisa de experiência profissional para conseguir o primeiro emprego.

Para mim, existem dois tipos de experiência profissional: a genérica e a específica. Ao contrário do que muita gente pensa, a primeira é tão importante quanto a segunda. Experiência profissional genérica é o emprego que não tem relação nenhuma com sua profissão, mas ensina os conceitos básicos de trabalho: responsabilidade, hierarquia, horários, respeito e afins. Já a experiência profissional específica se refere às habilidades que você precisa ter para ser aquilo que quer ser quando crescer. Aqui entra o Photoshop, a redação, o curso de inglês, etc. Há ainda uma outra experiência que conta bastante na mochila de qualquer um: experiência de vida. Aquelas coisas que você sabe porque viveu: pode ser um intercâmbio, uma viagem, maçonaria (?) ou sabe-se lá o quê. A junção desses três tipos de experiência são os seus features para o mercado.

Como experiência profissional genérica você consegue em qualquer lugar, o problema geralmente está na experiência profissional específica. Uma excelente saída é olhar para dentro da própria universidade. Nos meus tempos de acadêmica, trabalhava com meus pais de manhã, fazia monitorias na faculdade à tarde e estudava à noite. Essas monitorias são os empregos/estágios que você consegue nos laboratórios e projetos de extensão do curso. Além de você ganhar uma graninha ou até bolsa na mensalidade, vai aprendendo a fazer as coisas na prática e, voilá, ganha experiência específica. Há outro ganho muito importante: é na prática que você aprende qual caminho vai seguir.

Talvez esta seja a segunda maior aflição acadêmica. Os estudantes de comunicação têm um leque bem amplo de especializações. Podem ser desde atendimento de contas a arte-finalistas; de redatores a produtores gráficos, isso sem mencionar todas as possibilidades ainda mais específicas encontradas em empresas como produtoras de áudio, vídeo, internet e tudo mais. Quando você nunca experimentou nada, fica difícil saber para que lado ir.

Um dos erros mais frequentes é o “não sei fazer nada, mas faço qualquer coisa”. Tem gente que pensa que isso aumenta suas chances de entrar em algum lugar, já que não há restrição de departamento. Eu pensava assim. Sabe por que isso não funciona? Porque, na maioria das vezes, um estagiário é visto como um pequeno problema. Alguém que você precisa ensinar e treinar enquanto ainda tem que dar conta da sua pauta diária. Quem quer perder tempo com um amiguinho que ainda nem sabe o que quer da vida? Agência não é divã de terapia. Para esses, a porta é serventia da casa.

É claro que existem os seres polivalentes que, de fato, fazem de tudo. Mas esses são poucos e até mesmo eles precisam de um ponto de partida. Se você não sabe o que quer, fique atento às suas inclinações naturais. Você SEMPRE tem uma paixão e ela SEMPRE revela sua essência. Por mais piegas que pareça, esse é o famoso “ouça seu coração”.

Isso quer dizer que se você não tem inclinação nenhuma para desenho, não precisa fazer curso de Photoshop. Eu juro. É tempo e dinheiro no lixo. Já vi acadêmico que sonhava em ser planejamento fazendo curso de Photoshop. É como fazer aula de canto quando se quer cozinhar bem. É claro que conhecimentos exra são sempre bem-vindos, mas evite perder o foco.

Quer saber o que quase ninguém sabe? Existem vagas de estágio infinitas para gente inteligente. Para quem não sabe como preencher direito uma tabela de mídia, mas faz conexões diferentes entre consumidor e meios para descobrir estratégias que os macacos-velhos nem cogitariam por estarem acomodados ou acostumados demais. É disso que a gente precisa: cérebros fresquinhos e funcionais de jovens apaixonados por comunicação, dispostos a mudar, a fazer diferente.

Fica a dica, viu?

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