Brainfucking (ou “5 Coisas que acabam com qualquer brainstorm”).

Posted by on Nov 14, 2012 in Blog, dica da gica | No Comments

Faz 7 dias que estou envolvida em um projeto muito, muito legal chamado Fly Garage. Em uma tuitada: 10 dias fazendo brainstorm de inovação com outras 20 pessoas de todo o mundo, em uma agência pop up montada só para a gente aqui em Palermo Soho, o bairro mais descolado de Buenos Aires. Basicamente, uma oportunidade única na vida, apenas para escolhidos. Mas nem tudo são flores: fazer dois brainstorms por dia em inglês com uma porção de gente que você não conhece pode ser muito cansativo. Nessas condições, aparecem alguns vilões capazes de acabar com a alegria geral da nação…

5 coisas que acabam com qualquer brainstorm:

1) Gente despreparada. Não custa nada ler o briefing antes de sentar com a galera. Aliás, eu diria até que é um mínimo sinal de respeito se preparar para uma reunião na qual se espera que todo mundo participe dando e avaliando idéias. Leia antes, pesquise referências, procure se inteirar: o grupo agradece e tudo flui melhor (e mais rápido!).

2) Falta de foco. Eu sei que agências são esses lugares superlegais com gente que trabalha dando risada. Você pode ter grandes amigos pessoais no trabalho, mas tente deixar os planos para o fim de semana para a hora do café. Desviar o foco do brainstorm para assuntos pessoais é meio chato (a não ser que não tenha ninguém interessado no job).

3) Inibição. Feel free. Solte as amarras e permita-se criar gostosamente. Quando você relaxa um pouquinho, os músculos metafóricos acabam vindo com flexões diferentes e boas idéias.

4) Infantilidade. Existe esse conceito de que nós precisamos pensar como crianças nos brainstorms para que as idéias venham mais legais. Perceba que há uma linha tênue entre pensar como criança e agir como criança. Uma coisa é se soltar, outra coisa é perder a noção. Uma coisa é dar unlock na criança que existe em você, outra coisa é mimá-la. Vale tudo no brainstorm? Sim, mas com alguns critérios. Não adianta vir com “daí a gente vai mandar trezentos carros para a lua” e ficar putinho quando alguém começar a puxar a cordinha de volta para o nosso planeta. Pense como criança, mas tenha maturidade suficiente para lidar com egos, briefings e realidades. Não existe idéia MINHA ou SUA. A idéia é do GRUPO, da agência. Não há tempo nem energia para gastar com atritos e orgulhos feridos. Pense que há uma porção de gente envolvida no brainstorm e que ele deve ser produtivo.

5) Censura. Deixe todo mundo falar e defender sua idéia. Não seja advogado do diabo, muito menos use essa expressão (por favor). Também não diga que você tem “medo”. Não seja um maricas. Se você perceber alguma fragilidade ou inconsistência em uma idéia do grupo, apenas questione ou aponte. Quando todos estão na mesma vibração, querendo o melhor da idéia, ninguém acha ruim. Outra coisa chatíssima é o cara que só quer ajudar, anunciando o que é possível/viável ou não. Por exemplo: você está começando a dar vida para uma idéia e o bonitão cai matando dizendo que é juridicamente inviável e que não dá. Ele não deu nem uma chance para a idéia viver de outra forma, já veio pisando em cima. Eu entendo que a intenção é das melhores: “não vamos perder tempo com idéias que não são viáveis”, mas não descarte uma idéia sumariamente, sem ter pensado em todas as possibilidades de desenvolvimento, ok?

Mesmo quando funcionam direitinho, brainstorms já são cansativos. Vamos botar energia no lugar certo e acabar com os brainfuckings, gente linda! Boa sorte no próximo :}

PS. Vou deixar o material do meu Workshop de Brainstorm aqui para inspirar vocês!

Brainstorm • Como desentupir o cérebro com técnicas milagrosas from Gica Trierweiler Yabu

Leave a Reply