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março 10, 2008
Cadarços
_Nunca vi paredes assim.
Eram paredes azuis, altas e limpas. Nenhum interruptor, quadro ou teia de aranha.
_Eu disse que eu nunca vi paredes assim.
_Eu ouvi.
_Estranho.
Estavam nervosos e continuavam esperando que fossem chamados. Os dois pensavam na mesma coisa, mas preferiam não falar a respeito.
_Você fechou as janelas da sala?
_Fechei.
Ele não sabia se havia fechado.
_Deixou as chaves na portaria?
_Sim.
Silêncio. Silêncio nervoso, quase barulhento, devido à velocidade dos pensamentos. O inaudível grito fino da angústia pairava pelo corredor.
_Eu acho que agora vão nos chamar.
_Você amarrou os cadarços duas vezes?
_Duas vezes. Não vão abrir, fique tranqüilo.
_Bom.
_Você pode segurar a minha mão? Eu acho que realmente vão nos chamar agora.
Dito e feito. Seus nomes soaram em um timbre metálico e uma porta se abriu.O frio se instalou nas barrigas.
_Parece que somos nós.
_Vamos ganhar. Eu sei que vamos.
_Sim. Eu passei a última semana inteirinha treinando as piruetas.
Tags:ficção
Postado por Gica Trierweiler @ 04:31:27 pm
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