Denise, por favor.

Posted by on Mar 2, 2011 in Blog, eu que fiz, texto | No Comments

Eu não pretendo perder muito tempo aqui, então espero que você ouça com atenção. Minhas pernas estão cansadas, não tenho onde me sentar, preciso ficar aqui porque lá dentro não tem sinal. Não, me escuta rápido porque meu crédito está acabando. Eu não conheço aquela mulher. Ela apareceu do nada, encheu meu mural de recados e eu não faço idéia de onde ela saiu. Acho que ela quer me prejudicar porque deve saber que a gente, bem, que a gente tem essa coisa da gente. É, ué, coisa porque você disse que a gente não namora, mas fica junto pra sempre. Aliás, acho meio idiota essa mania de querer fugir dos rótulos: Denise, presta atenção, os rótulos foram feitos pra facilitar as coisas. A gente tá enrolado no rótulo “NAMORO” desde o primeiro dia.

*Chamada a cobrar. Para aceitá-la, continue na linha após a identificação*.

Eu disse que era pra me escutar, mas você ficou me interropendo, o crédito acabou e tive que ligar a cobrar. Tenho um pouco de vergonha, mas liguei de novo porque você precisa escutar o que eu tenho pra dizer. Denise, eu não conheço aquela mulher. Eu já disse isso, mas você não acreditou. Vou ficar dizendo até você acreditar. Não conheço aquela mulher, não conheço aquela mulher, não conheço aquela mulher, não conheço aquela mulher, não conheço aquela mulher. Claro que não bebi. Bebi um pouco, mas não estou, não, Denise. Olha você de novo, sempre na defensiva. Sempre me achando um merda. E eu aqui, sempre me justificando. Sabe o nosso namoro, Denise? Nem tenta assumir o rótulo porque acho que ele esfarelou. Sabe quando você lava um pote de maionese e o rótulo vira uma meleca entre o pote e a esponja? A gente é isso: essa meleca. Sempre tem alguma coisa mal compreendida, discussão. Eu não consigo. Não tenho dinheiro pra te ver esse mês. Não tenho dinheiro porque não. Ah, Denise, isso é problema meu. Vai, vai, pode começar a sapatear sobre as minhas fraquezas. Isso é tão errado, isso é tão covarde, Denise. Eles não me pagaram de novo. Como é que eu vou sair de lá? Vou trabalhar onde? Não tenho como. Já, já pensei nisso. Desculpo. Eu também estou com saudades. Eu te amo. Mas eu não tenho dinheiro para te ver. Acredita em mim. Denise, por favor.

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