Desenhos para filhos que viram pais.

Posted by on Nov 18, 2011 in Blog, mãe, vida | No Comments

Nasci em 1984, minha filha nasceu em 2011. Dentre várias coisas, isso quer dizer que eu vi os grandes clássicos da Disney e a maioria das maravilhas da Pixar enquanto era criança/adolescente. Fábio e eu somos devotos desses estúdios e amamos animações, por isso não preciso nem dizer que Luna ganhou seu primeiro Blu-ray - Rei Leão – com 8 meses.

Isso me fez rever um dos filmes que mais gosto sentada de outro lado do balcão, de forma muito diferente da que eu vi lá em 1994, quando o filme foi lançado (sim, estamos todos velhos). Na época vi o Simba como vítima coitadinha. Hoje achei que ele foi um babaca. Foi vítima, lógico, mas foi um babaca. Negou o trono e foi ser hippie hakuna matata lá em outro lugar. Fugiu das suas responsabilidades e voltou depois de um pito muito bem dado pela Nala.

Quando revi Os Incríveis, morri. A forma como a família Incrível foi retratada é de arrepiar: o pai é fortudão, a mãe é elástica, a teen desaparece, o menino é veloz e o bebê é um taz mania mágico. Ver o esforço dos pais para manter a segurança da família – ainda que numa vidinha medíocre – é uma porrada. E as distâncias entre o casal, os descontentamentos, as crises? Tá tudo lá, de um jeito extremamente real. Mas nada supera a grande mensagem do filme: quando todo mundo é especial, ninguém é especial. Tudo isso só fez sentido pra mim agora – anos atrás era só um filminho de ação com heróis engraçadinhos.

Tarzan foi outro que me virou do avesso. Quando criança, eu torcia para o Tarzan ser legal. Hoje me vi torcendo para ele ser aceito, para sobreviver em meio a uma sociedade diferente. Me peguei querendo ser a mãe do Tarzan, quis dizer que ele não deveria ter traído a família porque isso não se faz. Quis segurá-lo em meus braços para dizer, baixinho, que um filho é sempre um bebê lá no coração da mãe e que esse coração não acaba nunca. E outra: uma mãe que perde seu bebê, um bebê que perde os pais. Só isso já me faria chorar por três dias seguidos.

A Branca de Neve entrou para a coleção da Luna e me surpreendi com a qualidade dessa animação mais velha que todos os meus leitores: nasceu em 1938. É inocente, bobinha, mas linda. O draminha da menina que queria seu príncipe e só se ferrou. Ganhou abrigo na casa dos anões em troca de serviços domésticos e morreu por pura inveja da madrasta. Aí entra a interpretação do texto: percebi essa semana que o fim de Branca de Neve é tipo Peixe Grande. Ela morreu e morreu. O beijo, o príncipe, a alegria e o castelo são o afterlife. Lógico que viveram felizes para sempre assim.

E o que dizer de Up? Esse eu só vi depois de grande. Para ser mais exata, depois de uma gravidez que durou só 20 dias. A dor dos primeiros minutos desse filme sensacional sublimou na sequência. Saí do cinema com a alma lavada, me sentindo boba e com esperança. Como sempre, a mágica da Pixar.

Estava grávida da Luna quando vi o último Toy Story. O encerramento da trilogia me marcou muito porque, de certa forma, cresci com o Andy desde 1995. E quando vi que o Andy havia crescido, me caiu a ficha de que eu também não era mais criança. Tá, é óbvio que eu sabia que não era mais criança, mas em algum lugar vivia uma Gica que brincava com o Andy, o Woody e o Buzz. Também me peguei pensando que aquele bebê na minha barriga uma dia ia crescer a ponto de ficar grande. A ponto de ir embora. E assim fui chorando até chegar em casa.

Poder viver a vida de filho e pai com os mesmos desenhos é bem legal. Só não é mais legal que ver novos desenhos com seu próprio filho :}