Encontros inusitados da sacola voadora

Posted by on Feb 1, 2016 in Blog, eu que fiz, texto, vida | No Comments


Várias coisas me incomodam na atitude dos fortalindos, mas poucas me exasperam tanto quanto o jogar lixo pela janela do carro em pleno 2016.

Ciente desse hábito de seu povo, a Prefeitura distribuiu lixinhos de câmbio em diversos semáforos da cidade ontem. Ao ser abordada pela mocinha uniformizada, mostrei pra ela que já tinha o meu lixinho e agradeci. Sinal abriu e fui-me embora sorrindo, feliz por perceber mais pessoas dispostas a mudar Fortaleza pra
melhor.

Duzentos metros mais pra frente, uma sacola voa da janela de um Fiesta Vermelho e o som de um vinil brutalmente riscado na vitrola me tira desse mundo de esperança onde todos se unem para transformar uma cidade. Em outras palavras: eu fiquei muito puta. Contrariando todas as minhas convicções de jamais repreender outro motorista no trânsito, emparelhei no Fiesta Vermelho e disse, incrédula:

Jura que você jogou uma sacola da janela, moço?

Ele tomou um susto. Eu parti ainda sem acreditar em tamanha falta de consideração. Fui discutindo comigo mesma, pensando no que fazer para mudar, por onde começar, se não estou sendo louca/neurótica e… Fiesta Vermelho colado à direita. Baixei o vidro.

Eu juuuuro que foi sem querer! Peguei o lixinho que a moça deu, tirei a sacola do câmbio pra colocar o que ganhei e ela saiu voando! Eu juro!

Eu ri. Ainda havia esperança.

Ufa. Que bom ouvir isso, moço.

É. Bom fim de semana.

Pra você e pra mim.

Vou torcer pra essa sacola não virar comida de tartaruga, assim como torço para que a consciência de que janela do carro não é lixo se espalhe por aí. Fiquei feliz com o desfecho inusitado dessa história e digo pra vocês que só não perguntei se o moço queria ser meu amigo porque Fortaleza não tem semáforos suficientes pra eu explicar que isso não significa xaveco a cada sinal vermelho.

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