Fernanda.

Posted by on Mar 29, 2011 in Blog, eu que fiz, texto | No Comments

Fernanda sabia porque esteve lá. Por isso que sabia. Só quem presenciou é que pode dizer assim, com certeza, e Fernanda tinha certeza. Ela me contou e eu ouvi bem daquela boca que deixa fluir palavrinhas feito frasco delicado esquecido aberto por alguém descabeçado. Fernanda era precisa e tudo sabia. Sabia de cor e salteado a data: foi na Páscoa. Tinha certeza. Foi na Páscoa que se descobriu apaixonada por Otávio. Sabe, o Otávio? Um rapaz estranho, que para mim não ia além de um macaco macio um pouco mais evoluído que seus primos símios, mas quem sou eu para julgar o amor alheio? Fernanda suspirava alto pensando em Otávio e tudo começou naquela Páscoa – ou teria sido Reveillon? – não importa, porque o amor é assim mesmo e quem se apaixona tem dessas coisas de se perder um pouco. Fernanda disse que Otávio estava lindo, vestido como se tivesse saído da tela de um filme de 1955 (parece que isso está na moda. Se não estiver, Fernanda deve ter o gosto estragado porque adora essas coisas empoeiradas). Então, ele estava lá, todo bonito desse jeito dele, falante e tudo mais, retroescavadeira estimulante, exibindo sua coleção de sotaques recém-adquirida na viagem feita ao Peru, Bolívia e Argentina, onde conheceu as maravilhas da América Latina e Cláudia, sua esposa boliviana. O resto da história eu não sei porque Fernanda sempre desata a chorar quando chega aí.

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