Looping.

Posted by on Apr 27, 2016 in Blog, eu que fiz, texto | No Comments

O tipo de coisa a que a gente se submete. O tipo de coisa a que a gente se submete. Sub. Se joga pra baixo. No chão. No ralo. Na merda. E mete. Fundo. Pé na jaca, lodo na virilha. De cara lavada e nariz tapado. Se submete. E mente. Pra si. O tipo de coisa que a gente mente. Pra quê? Pra quem? Porque se não mentir, vai ter que ver isso aí. E quem quer ver isso aí? A quem interessa ver isso aí? Bora lá se submeter, porque pelo menos a gente reclama da vida, essa injusta. Ô, vida. Eita, vida. Põe na conta da vida no seu próximo textão. Escreve lá #quemnunca e tá zerado. Vira um copinho e não demora pra virar outro, senão transborda uma verdade aí dentro de você. Aquela dúvida. A insegurança, aquela. Não dá pra gritar agora, não. Chorar também não. Arde, né? Arde. Não importa. A GENTE NÃO QUER VER ISSO AÍ. A gente não quer dor. A gente quer que passe, passe, passe. A gente arruma um problema maior ou diferente ou mais urgente pra não ter que pensar nesse. Com frio na barriga, mas a gente arruma. A gente aumenta o som e vai, sabendo que vai dar merda, mas vai. Porque não dá pra pensar nisso agora. Não cabe. Porque a vida é isso aí, vida adulta e tal. Problemas e tal. Cigarro e bebida e imprudência e gargalhada ébria ha ha ha ha somos tão senhores dos nossos destinos. Ninguém desconfiou de nada e deu tudo certo. Ha ha ha ha eu sabia. A gente sabia. O problema é quando passa a euforia e – pronto – fica escuro. No quarto. O mesmo quarto. Sozinho no quarto. Sozinho, não. Sabe quem tá lá esperando? A verdade, aquela. E trouxe o arrependimento junto, já que ele estava passando logo ali perto. Parabéns. Toma aí, adultão. Resolve essa, ô fódão. Eles vão te dar uma surra e você sabe e você alcança a maçaneta e não tem maçaneta e você pede por favor não e não adianta porque você não tem mais boca e eles não tem ouvidos. Eles é que vão falar, você é que vai ouvir. Verdade se faz de difícil, com narinas dilatadas e “nada” a cada tentativa sua de, você sabe. Arrependimento cai matando. O tipo de coisa a que a gente se submete.

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