Nós {não} podemos ser amigos.

Posted by on Dec 27, 2010 in Blog, dica da gica, texto, vida | No Comments

Não sei onde foi que aprendi um dos maiores clichês de término de relacionamento do universo: se foi nos filmes, em revistas teenagers, no Vale A Pena Ver De Novo ou com minha mãe. Seja lá onde tenha sido, a questão é que, NÃO, nós não podemos ser amigos.

Vamos aos fatos. Por uma série de motivos você concluiu que seu parceiro não lhe é mais conveniente (ou, besuntando em açúcar, vocês não se amam mais). Você entra em crise, eventualmente tenta mudar alguma coisa para salvar a relação, mas acaba sem saída e se vê na obrigação de passar a régua na história do casal.

Esse é o jeito mais difícil de terminar porque não há uma explosão raivosa ou um acontecimento repulsivo – aquelas coisas: o cara pegou sua melhor amiga; a garota espalhou por aí que você broxou duas vezes consecutivas; o ser humano revelou ter tido experiências de zoofilia em alguma parte do passado… Em situações desse tipo você termina jogando um vaso na cabeça do interlocutor, gritando pelo telefone ou acionando um matador de aluguel. Quando você termina numa boa – ou espera que assim seja – há um sentimento de superioridade que faz com que o terminante esteja à disposição do terminado para consolá-lo. E isso acaba com a dignidade humana.

Nós podemos ser amigos é a pior coisa que você – enquanto terminante – pode dizer. Porque amigos bebem, vão ao cinema, dão risada, conversam e tudo mais. Ex-namorados não. E quando você tenta forçar a barra para que assim seja, pode ter certeza de que algum lado vai desabar. Quase sempre é o lado do terminado que, confuso, não consegue superar o término já que o terminante liga no dia seguinte para marcar de almoçar. Isso bagunça a cabeça e o coração de qualquer um.

Eu entendo que o terminante possa sentir saudades do terminado e que seria ótimo se ambos continuassem se vendo em condições amistosas já que o terminado é tão engraçado-querido-legal e que seria maravilhoso alterar o status de “namorado” para “amigão”. E é aí que entra o peso das escolhas.

Terminante, preste atenção: você não pode ter o melhor dos mundos. É muito polianismo seu – pra não dizer outra coisa – acreditar que você vai acabar com um relacionamento enfadonho e ficar só com a casquinha boa do seu ex, sem cobranças, nem chatices. Se você considerou que não precisava mais do terminado na sua vida, mantenha-se firme na sua decisão. Isso se chama maturidade.

Se você é o terminado, existe uma forte tendência a acreditar que vocês podem ser amigos. A mente do terminado de auto-estima ferida e carência acentuada funciona mais ou menos assim: não sou mais o namorado –> sou amigo –> vou poder continuar vendo sempre –> vou poder continuar perto –> fica mais fácil pra eu voltar a ser namorado. Queridão, componha-se. Por algum motivo você tomou um pé na bunda: aproveite o momento para refletir a respeito com seus próprios botões. Lembre-se: quanto mais perto você ficar, mais difícil será superar o fim.

Para o bem geral da nação, o ideal é que ambos fiquem nos seus cantinhos. Pode ser que vocês nunca mais se falem na vida, pode ser que vocês – olha só! – até virem amigos. Mas só quando os dois já tiverem digerido o passado, afinal, o tempo é o melhor remédio (e você achando que eu ia conseguir terminar esse texto sem usar o segundo maior clichê de términos de relacionamento da galáxia).

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