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junho 2, 2008
Nunca mais.
Lembra de quando você chegou? Lembra do tamanho daquele abraço? E lembra que eu olhei pra você e disse que a gente ia pra nossa casa? Pegamos as suas coisas e entramos no carro, corações falando mais alto que todas as buzinas e os vendedores ambulantes da ilha. Tomamos um café ruim em uma padaria onde eu nunca mais voltei (talvez só uma vez mais).
Mostrei o apartamento pra você. Você achou bonito. A gente foi lá fora sentar no banquinho pra ver o mar. Te dei as chaves e fui embora, precisava trabalhar ainda. Nem trabalhei. Passei o dia inteiro precisando de você, ocupada demais esperando o relógio explodir, o prédio pegar fogo, qualquer coisa que me tirasse dali logo para voltar para o seu abraço. Para olhar pra você e ter certeza.
Te amei tanto, quase mais do que eu. Cada fio de barba, cada frase pronta, cada café-da-manhã. Te amei tanto e juro que achei que era pra sempre. Ou pelo menos por um bom tempo. O coração suspirava aliviado. Havia você na minha vida e nada mais.
Eu estou com medo porque comecei a esquecer de como você sorri e eu não queria. Eu não queria perder nada, nenhum pedacinho. Queria guardar tudo pra ter comigo. Eu queria você comigo. Todos os dias quero te buscar na agência, te beijar e perguntar o que você fez. Eu reclamaria do trânsito e você acenderia um cigarro. Lembra de como eu pegava na sua mão enquanto estava dirigindo? Eu lembro do jeito como você me olhava quando não tinha o que dizer.
Todos os dias eu quero ligar pra você e dizer que eu te amo. Eu seguro o telefone e o coração explode. Não consigo. Então eu fecho os olhos e desejo que você esteja bem. Quando a vontade não passa, eu disco os números e torço para que alguma mulher atenda o telefone. Ou para que você me diga que nunca mais quer falar comigo. Não sei o que doeria mais.
Talvez o mais triste de tudo isso seja o fato de eu não saber lidar com você. Por que você mentiu? Não podia. Não podia mentir porque isso eu não sei perdoar, não sei arrumar, não sei como agir. Eu fico com medo e vou embora, como eu fiz. O coração aos pedaços, os olhos lavados. Raiva de mim, por não saber consertar o que você fez. Raiva de você por me fazer deixar de gostar de você.
Se eu pudesse pedir uma coisa, seria o seu abraço. E o seu sorriso no meio do nosso beijo, da nossa casa, da nossa vida que não existe mais. Agora eu estou aqui e você está aí, como se nada tivesse acontecido. Como se eu pertencesse a essa cidade desde sempre, como se eu nunca tivesse ouvido o seu nome, como se eu não sentisse saudades, como se eu não te amasse.
Eu te amo. Eu sei que eu não posso, mas eu te amo. Se você me perguntar, eu vou negar, mas eu te amo. Sim, os dias têm sido maravilhosos, sim, a minha vida está fantástica, mas falta você. E eu vou passar os próximos dias, semanas e meses tentando esquecer a coisa mais bonita que eu já vivi porque eu não quero te ver nunca mais.
Tags:reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 03:15:12 am
#permalink |


juliaperissinoto 9:07 on 02/06/2008 | #
muitas vezes, o esquecer abre espaço para o novo. e talvez seja isso que dê mais medo. sair da segurança de alguém, de uma lembrança tão certa, de uma memória, e ir para um espaço novo.
um espaço, talvez, branco. uma tela em branco. aquela que será pintada por você.
e só por você.
(eu também tenho medo de esquecer.)
Vertov 9:55 on 02/06/2008 | #
todos os dias existem laranjas na minha garganta, todos os dias minha voz embarga, toda noite meu corpo quentinho sente falta da sua bundinha gelada.
todos os dias são feitos de lamentações, de raiva por vc não estar sofrendo, por trsiteza de não ter consiguido reparar nada a tempo.
se a gente tivesse cumprido o que combinamos, jogar os passados pela janela e jogar limpo sempre.
a culpa é toda minha, perdi você pelo meu capricho de querer ser tão interessante quanto você. Agora resta-me apenas voltar para meu mundo particular de filmes estranhos, leitura política, tele-jornais e me enganar cada dia mais entre pratos e sedas.
aprendi muito, e me transformei demais, sim você consegue tudo o que quer (as vezes).
Vou me preparar para o vestibular e viver dias de isolamento no diminuto da minha casa, que nem pareçe minha.
minha casa será sempre aquela, sim. Aquela que enche meus olhos de lágrimas, aquela que me tira o ar ao lembrar dos nossos sábados matinais.
agora volto para a mesma rotina, tenho que me virar, mas meu coração segue aos seus pés. Favor não pisar.
te amo.
Regi 12:07 on 02/06/2008 | #
E se eu disser que meus olhos estão cheios de lágrimas?!
Por ler pessoas tão maduras e tão teimosas e que erram mas que ai, não merecem ficar separadas!
As lágrimas caem na minha blusa de acrílico num frio tremendo. Ainda mais arrepiado com todas essas palavras.
Vocês são uns cuzões que eu amo ler!
laisk 14:15 on 02/06/2008 | #
suspiro.
Sara 20:26 on 02/06/2008 | #
Ai, eu li tudo com um nó na garganta. Já passei por coisa parecida e sei como dói. Mas passa. Sempre passa. Por mais que na hora pareça que jamais esqueceremos aquele sorriso, aquele abraço.
Beijos e se cuida.
Bianca 22:39 on 02/06/2008 | #
Sempre passo aqui pra ler seus textos e nunca me manifestei, mas tenho que confessar que o texto me fez chorar…
Passei por algo semelhante há algum tempo… É engraçado como a gente acha que só a gente passa por isso, aí vai uma pessoa e escreve logo o que vc sente, que saco!
Ficou ótimo o texto.
Tharcy 11:45 on 03/06/2008 | #
mas ei… vamos fazer a matemática… se um ama o outro… o o outro ama o um… porque tem zero pessoas felizes?
Leka 14:31 on 03/06/2008 | #
Queria entender.
ico 22:56 on 03/06/2008 | #
bunda gelada foi foda….huahaha
Vertov 18:13 on 06/06/2008 | #
O Amor tem gosto de presunto crú?
Meu coração é defumado e salgado;
Pendurado é exposto ao ar livre;
As vezes é salgado com lágrimas.
Rubinho 5:54 on 10/06/2008 | #
Triste. Acompanhava sempre que podia, mas Borboletas voam e ursos Hibernam. Minha mãe sempre diz que não há mal que sempre dure nem bem que nunca se acabem. O chato que as lembranças sempre ficam, não dá pra “formatar” o que marca o coração e a alma. Mas a vida continua, vi que está fazendo um casulo novo e com certeza você vai sair com cores novas e brilhantes, reluzindo ainda mais com um novo encanto!
Força sempre e não perca o sorriso. Bj-bj!
Milena 9:29 on 10/06/2008 | #
Eu tinha que comentar aqui. Transborda sensibilidade. É tanto sentimento, que dá vontade de gritar para vocês não desperdiçarem tudo isso.
Vocês vão ficar bem.
anonimato 16:46 on 02/08/2008 | #
Um texto belo e triste…Uma história que guarda semelhanças com outra que conheci.