O fim (da licença maternidade).

Posted by on Jun 1, 2011 in Blog, mãe, vida | No Comments

Hoje faz 135 dias que vivo para cuidar da Luna. Isso quer dizer que amanhã um elemento novo entra na equação da minha vida de mãe: o trabalho. Com o fim da licença maternidade, todo a agenda vira do avesso.

Muitas novidades aconteceram nos últimos tempos: Luna está comendo frutinhas e papas salgadas. Apesar do meu último e azedo post a respeito, deu tudo bem certo. Foi só ter paciência e pronto, a pequena estava se esbaldando.

Mas nem tudo foram flores: tínhamos certeza de que ela aceitaria a mamadeira e Luna nos mostrou que não poderíamos estar mais enganados. Nada de mamadeira, nem de suco. Só entra comida e leite do peito direto da fonte. Até passei por um dia de crise, achando que tudo ia dar errado, que a minha idéia inicial de amamentar de manhã e à noite não funcionaria, que a Luna jamais pegaria mamadeira se eu ainda desse o peito em outros horários, etc, etc. Chorei um monte, conversei com o Fábio, com a pediatra e resolvi seguir meu coração, ou seja, vou continuar amamentando sim, de manhã, ao meio-dia e à noite. E se ela não pega a mamadeira, paciência. Adiantamos a entrada das papas salgadas e pronto. Tem funcionado muito bem.

Também falei aqui sobre o momento da encruzilhada babá X berçário. Acabamos optando pela babá, que começou aqui na semana passada e foi muito bem. Pena que ontem ela se demitiu porque recebeu uma proposta irrecusável em um lugar legal. A empregada também não veio trabalhar porque estava de atestado médico até sei lá quando. Então respirei fundo, contei até três mil em alemão, chamei uma faxineira para quebrar o galho e pronto. Depois eu surtei mesmo.

Antes de dormir bateu um desespero absurdo. Uma urgência em resolver a história da babá, achar babás, entrevistar babás, contratar uma babá em São Paulo que não seja sequestradora, ladra, pedófila, malvada ou mentirosa. E que caiba no orçamento. Aí eu não queria mais, quis mandar todo mundo embora, botar a Luna na escolinha, mas a Luna ia ficar doente, mas e agora, mas, mas, mas, blá blá blá. Ou melhor: buá, buá, buá. Chorei, gente. Aquele choro denso que vem lá do fundo, o mesmo lugar onde mora a voz que diz “não precisa ser assim, você não precisa voltar a trabalhar, vocês podem morar numa cabaninha no meio do mato, dane-se o capitalismo, vire dona de casa e seja feliz“. Fica quieta aí, voz do além. Como é que vou parar de trabalhar a dois passos do auge da minha carreira? Fábio me abraçou e disse que a gente ia dar um jeito. Capricorniana que sou, custei a acreditar. E dormi.

Acordei mais calma. Ainda preocupada com a busca da nova babá, mas consciente de que as coisas vão se encaixar de alguma maneira. Estou revendo planos na minha mente, pensando em como vai ser amanhã. Será que deixo a roupa pronta, pendurada num cabide na porta do quarto? Me arrumo primeiro e amamento depois? A que horas preciso acordar para dar conta de tudo e chegar no trabalho às 9h? Ai, socorro, olha a nóia voltando. Respira um, doi, três. Sei lá, queridos. Vou tratar de aproveitar meu último dia de mãe integral e amanhã a gente vê o que acontece.

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