A vida com cães e bebês.

Posted by on Nov 27, 2011 in Blog, mãe, vida | No Comments

Somos uma família multirracial composta por um vira-lata, um japonês, uma blumenauer e uma bebê mestiça. Sim, é lindo e maravilhoso, mas descobrimos que ter um bebê e um cão ao mesmo tempo pode ser uma fria. Não por eles – que, aliás, se dão super bem. A questão é arrumar um programa familiar que deixe todo mundo feliz. Você deve estar pensando: há vários parques e praças, que lindo! Sim, eles existem e quebram um supergalho, até que as nuvens carregadas despontam no horizonte. Ou você acha que esse lugar se chama terra da garoa só por que sim?

Ficamos em São Paulo no último feriado e a cidade nos presenteou com uma baita chuvarada. A Luna tem muita energia pra gastar. Passar 4 dias dentro do apartamento com esse bebê não era uma opção. E tinha o Catavento que, como todo cachorro, precisa passear. Como tirar todo mundo de casa sem que ninguém saísse ferido? Shopping Center, claro.

O Shopping Pátio Higienópolis é famoso por ser o mais dog friendly da cidade. Seguimos direto para lá. Nós e outras duzentas e oitenta mil pessoas. Depois de quarenta minutos vagando por um estacionamento tortuoso, apertado e non sense, conseguimos uma vaga. Sai do carro, tira o bebê, põe a coleira no cachorro, tira o carrinho do porta-malas, pega a bolsa da criança, o cartão do estacionamento e vai, ufa. Luna no colo do Fábio, Catavento no carrinho da Luna. O elevador chegou e “senhora, nesse elevador não é permitido transitar com cães“. “Mas eu tenho um bebê“, apontei. “senhora, nesse elevador não é permitido transitar com cães“. Respiro fundo. Onde fica o elevador para cães? Acertou quem disse lááááá do outro lado do estacionamento.

Então temos 1 elevador para cães no shopping altamente dog friendly. Resultado: 12 minutos contados no relógio para ele chegar. Segue diálogo: praça-de-alimentação-por-favor, senhora-esse-elevador-não-vai-até-lá, é-claro-que-ele-não-vai, qual-andar-senhora?, o-que-for-mais-perto-da-praça. Sabe quando o cara que é o Hulk fica se controlando pra não ficar muito alterado a ponto de virar o Hulk? Era eu, respirando fundo, pensando que tudo o que eu mais queria era almoçar em paz com minha família de novela na porcaria do único shopping de São Paulo onde eu poderia fazer isso. Repare que, a essa altura, já estávamos tentando há mais de uma hora. E com fome.

Ao chegar no tal andar, fomos direto ao segurança conforme diálogo anexo. “moço, boa tarde. nós viemos almoçar e como nosso cachorro não pode ir até a praça de alimentação, gostaríamos de saber onde podemos deixá-lo”. “Ué, em lugar nenhum”. “Como?”. “Não tem lugar pra deixar o cachorro aqui“.

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Controlando-me para não babar de raiva e arrancar a cabeça do segurança, olhei para o Fábio: “vamos sair desse lugar agora, por favor“. Usei técnicas avançadas do Yoga, pensei na luz branca, contei até oitenta. Eu não – NÃO – deixaria aquilo afetar meu fim de semana. Ainda tivemos que pagar o estacionamento e pegamos uma baita filha para ir embora. Saí do Shopping Pátio Higienópolis com a promessa de JAMAIS voltar, haja o que houver. Fomos almoçar felizes e muito bem atendidos na Hamburgueria do Sujinho que, apesar do nome, é bem limpinha e serve pratos deliciosos a preços bastante amigáveis. Catavento teve que se contentar em ficar sob o toldo do lado de fora, paciência.

Outra aventura nos aguarda nesse fim de ano. Como minha família mora lá em Santa Catarina, vamos passar uns dias na Alemanha do Vale do Itajaí. Até aí, tudo ótimo: fazer setecentos quilômetros em um vôo de quarenta e cinco minutos é uma das grandes maravilhas da vida moderna. Comprei passagens e fui reservar um hotel para cães onde deixaríamos nosso amado pet. Não há vagas. Nem adianta discutir, não há vagas há meses. Ok, vamos levar o Catavento de avião. O aluguel da caixa de transporte, mais passagens e taxas beiravam mil reais. Oi? É. Solução: trocar o rápido deslocamento pelo ar por uma road trip farofada, com carrinho de bebê, malas, criança, cachorro, sanduíche sem glúten, nem lactose. Vai ser legal, mas como tudo nessa vida com bebê e cachorro de apartamento, vai dar um trabalhão.