O que você anda comendo?

Posted by on Mar 25, 2012 in Blog, vida | One Comment

Se você está lendo esse texto, tem idade suficente para saber que o mundo evoluiu muito rápido nos últimos anos. Temos internet sem fio, máquinas controladas por voz, cirurgias teleoperadas. A internet instaurou uma nova democracia e deu voz às pessoas. Marcas são cobradas e questionadas. Dizem que chegamos na era da transparência. Será? Se isso é verdade, responda-me: o que você anda comendo?

Se você respondeu “frango”, preciso acrescentar hormônios, anabolizantes, melhoradores de desempenho e antibióticos à sua resposta. Coliformes fecais também, lógico. Desde o nascimento da ave até o frango à milanesa, passaram-se apenas algumas semanas. No passado esse desenvolvimento levaria meses. E veja que eu nem comecei a falar sobre as condições das granjas, onde animais vivem em áreas de superlotação, bicando uns aos outros em meio às próprias fezes.

Lembro de um e-mail que circulou há um tempão, dizendo que o hamburger do McDonald’s era feito de minhoca e que eles tinham mudado animais geneticamente de modo que produzissem muito mais carne, sem espaço para olhos ou pernas, por exemplo. Todo mundo ria disso e dizia que era impossível e que o McDonald’s jamais faria isso com a gente. Alguém fez o Chester, esse frango anabolizado com o dobro de peito e coxas. Uma ave que não tem estrutura óssea para suportar o próprio peso sem sentir dor. O mesmo ocorre com perus e suínos pelo mundo. Sabia que há apenas alguns produtores de peru nos Estados Unidos que criam perus heritage, ou seja, não modificados geneticamente? Esse tipo de peru quase foi extinto na década de 90 porque era muito mais legal criar aquele peru fabricado para ser maior e carnudo. Eles não se reproduzem naturalmente, mas parece que ninguém se importa. Se tudo isso parece ruim, já aviso: vai piorar. Essas manipulações genéticas são um prato cheio para as epidemias que saltam de uma espécie para a outra, como a H1N1, por exemplo.

Outros velhos conhecidos como o glutamato monossódico e aspartame estão sendo condenados pela medicina há décadas. Alguns estudos apontam que o glutamato pode ser mais prejudicial para a saúde do que nicotina e álcool. Enquanto isso, Sazón tem propaganda na TV e todo mundo usa achando que está fazendo bem para sua comida e para si. O aspartame faz a festa em adoçantes e muitos alimentos e refrigerantes light ou diet, mas é um agente cancerígeno cientificamente comprovado. Ah, sabe o Polenguinho? Tente imaginar o que é preciso colocar num queijo processado para que ele dure meses fora da geladeira. E os agrotóxicos despejados nas plantações e absorvidos pelos vegetais? Esses são só alguns exemplos.

O que me incomoda de verdade é que tem muita gente doente no mundo e já foi comprovado que a maioria das doenças está intimamente relacionada à alimentação. Você não precisa ser médico ou biólogo para ver que estamos ingerindo uma porção de veneninhos diariamente.  Assista ao TED do Jamie Oliver com atenção. Se condenamos coisas como o cigarro, por exemplo, por que somos tolerantes com os absurdos da indústria alimentícia? Fico pensando que as embalagens de alimentos deveriam trazer avisos tão agressivos quanto aqueles nos maços de cigarros.

Não sou ingênua. Eu sei que é a produção em grande escala que garante comida na mesa das pessoas. Eu sei que se não fosse por causa dos melhoradores, anabolizantes, agrotóxicos e tudo de ruim, não teríamos comida em abundância no supermercado. Eu sei que frango barato é uma solução que resolve a nutrição dos povos de baxíssima renda. Eu sei que a maior parte do mundo não tem dinheiro para pagar R$40 no quilo do frango orgânico, como eu faço. Mas também sei que, do jeito que estamos comendo, não vamos muito longe.

PS. Se você se interessou pelo assunto, leia “Comer Animais“, do Jonathan Safran Foer.

 

 

 

1 Comment

  1. Melissa
    31/05/2012

    Gica, a história do frango é lenda. Minha irmã é veterinária de uma empresa criadora de frango e eles precisam seguir a risca determinações do governo. Essa histório de hormônio do frango não existe mais. Existiu, mas o custo era tão caro para manter que não valia a pena. Eles tem horário pra comer, quantidade correta, iluminação correta, tudo acompanhado de perto sob risco de altas multas. E os fiscais dão incertas nos criadouros e punem de verdade. Essa realidade da criação de frango eu consigo acompanhar de perto, nem tudo que se fala é verdade.

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