O tempo certo.

Posted by on Jan 2, 2011 in Blog, mãe | No Comments

Você já percebeu que hoje em dia todo mundo está prorrogando seus prazos? Tenho vários amigos de 30 que ainda moram com os pais e conheço muita gente de 35 pensando se vai mesmo casar. Quando o assunto é “reprodução”, aí complica de verdade.

As mulheres de 35 entram em pânico porque estão ultrapassando o limite da “idade saudável” para engravidar durante sua ascensão profissional e os homens têm um treco porque os 40 estão chegando e, com eles, a famosa crise do meu-deus-minha-vida-está-passando-e-eu-ainda-nem-fiz-metade-do-que-poderia-ter-feito. De acordo com o IBGE, o número de mães com mais de 40 anos no Brasil cresceu 27% entre 1991 e 2000. Mas então qual é o tempo certo para engravidar?

Quando eu tinha 24, senti que minha hora havia chegado. O tal chamado da natureza que, por mais piegas que pareça, foi me buscar pelo pescoço. Fábio e eu entendemos que nossas vidas haviam se cruzado e que seguiriam lado a lado pra sempre. Sendo assim, nada melhor do que dar continuidade ao curso natural das coisas: corta a pílula, regula o ciclo, para de fumar, respira e vai.

Alguns amigos tentaram mudar nossos planos dizendo o que me cansei de ouvir “mas vocês são tãããão jovens”, “aproveitem a vida primeiro, passa tão rápido”, “vocês estão juntos há tão pouco tempo”, etc, etc, etc. Acontece que a gente sabia que era o momento certo e, além do mais, não queria esperar meu casamento ficar chato primeiro para ser mãe depois. Nos amamos muito, muito, muito e escolhemos viver isso agora.

Então eu precisava engravidar. O assunto virou fixação absurda e não havia outra coisa na minha cabeça. Me sentia grávida dia sim, dia não, fiz inúmeros testes de farmácia e a ansiedade não parava de crescer. Até que num belo dia acabei no hospital por causa de uma cólica que teimava em não passar. O médico do PS pediu um teste de gravidez por via das dúvidas e, uma hora depois, eu estava chorando torrencialmente com um positivo nas mãos. Até aqui, tudo lindo, mas a história não seguiu bem como a gente gostaria.

O nível do beta HCG cresce em progressão geométrica (lembra de como as células se multiplicam alucinadamente?). O meu crescia em progressão qualquer-coisa-mas-nunca-o-suficiente. Por isso passei quase um mês meio grávida, fazendo testes a cada 3 dias. Com os nervos à flor da pele, foi ficando cada vez mais difícil enfrentar aqueles números preguiçosos que teimavam em não subir. Bastou um último teste e um ultrassom para diagnosticar que eu estive grávida, sim, mas fora do útero. Uma gravidez tubária que não vingou e foi reabsorvida pelo próprio organismo.

É lógico que ficamos chocados, tristes, frustrados e tudo mais. É lógico que todo mundo dizia que era normal, que 25% das gestações desandam no início, etc. Enfim, é fácil enunciar estatísticas quando você não faz parte delas. O tempo passou, a vida aconteceu e fomos digerindo aquele episódio tão asqueroso, que terminou 5 meses depois, quando peguei outro beta positivo nas mãos e ouvi o coração da minha filha.

Agora com 26 anos, estou de quase 38 semanas de uma gravidez espetacular e, olhando para trás, posso dizer que a anterior foi bastante triste mas também serviu para nos deixar lúcidos. Acabamos engravidando sem querer e curtimos toda a gravidez da Luna numa boa, sem pressões ou loucuras.

E o tempo certo de engravidar, afinal? Deixa com a vida que ela sabe o que faz.

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