Para minha filha do futuro.

Posted by on Oct 10, 2011 in Blog, mãe, vida | No Comments

Filha, hoje de manhã fui pegar você lá no berço. A senhorita já estava quase de pé e deu uma risada gostosa quando me viu. Troquei sua fralda transbordando de xixi e deixei você com o seu querido papito enquanto eu corria para fazer sua mamadeira. Você chorou um pouquinho, acho que ficou meio confusa, e logo parou. Deitou no nosso meinho e mamou um monte. Segundos depois, vomitou no meu colo, na cama, no edredon e, é claro, em si mesma. Tudo por causa dessa mania doida de querer virar cambalhotas logo depois da primeira mamadeira do dia. Troquei sua roupinha por uma limpa e cheirosa, depois fui direto para o banho.

Meu dia estava predestinado a ser cheio e eu queria conseguir entregar tudo a tempo de vir almoçar em casa. Adoro almoçar em casa. Primeiro porque fico mais tempo com você e seu pai, segundo porque almoçar com a família é importante. Pelo menos foi o que a minha mãe – sua avó – me ensinou. Você ficou brincando no chão da sala com seu pai e, assim que terminei de me arrumar, fui preparar nosso café da manhã. Como sempre, você quis comer nossa comida, avançando sobre os pratos de pão francês. A gente riu porque isso é sempre muito engraçado.

Enquanto escovava meus 28 dentes (mamãe é um ser evoluído e não tem os sisos), você escovou seus dois semi-dentes. Você adora escovar os dentes e às vezes não quer largar a escova. Dei um jeito no cabelo e levei você até o papai porque já estava na hora de ir para o trabalho. Segunda-feira é sempre um dia difícil porque, além de ser o começo de uma longa semana, é o abismo que se abre entre nós depois de 48 horas grudadas no fim de semana. Mas tudo bem, ninguém gosta da segunda-feira mesmo. Distribuí beijos entre você e o papai, fiz carinho no Catavento, o cão que você ama. Com o coração apertado, fui até a porta.

“Tchau, filha.” Acenei e você, sorrindo, acenou de volta. Toda desajeitada, balançando o corpo inteiro, um tchau descoordenado, mas lindo porque, mais uma vez, você sorria. Era quase como se fosse você falando “vai numa boa mãe, vou continuar meu dia com o papai e o Catavento aqui”. Como sempre e já com a chave no trinco, mandei um último beijo pelo ar. Você mandou outro. Pela primeira vez e sem nem saber o que estava fazendo, você mandou um beijo para mim. Filha, os olhos da mamãe foram nadar e você continuava a sorrir. Fiquei feliz de um jeito algodão doce, bobo, novo. Me senti cheia de uma energia maluca e estava pronta para encarar qualquer coisa. Se eu tivesse que cruzar um oceano a nado, tudo bem. Se eu tivesse que entregar trezentos títulos, tudo bem. Eu daria treze voltas pelo mundo com a alegria que você me deu dentro de um beijinho pequeno assim.

O dia passou e agora você já está no berço outra vez. Fiz questão de deixar você dormir no meu colo enquanto a gente ia e voltava na cadeira de balanço. Acho que nunca vou conseguir explicar o que sinto quando você dorme no meu colo. É uma mistura de muito amor com pedaços de felicidade, uma dose de realização e admiração. Filha, ver você dormindo nos meus braços (quase) todas as noites faz meu coração triplicar de tamanho para caber tudo de lindo que é ser sua mãe.

Te amo.

PS. Essa foto belíssima foi o tio Danilo que fez.