Pelo menos.

Posted by on Jun 12, 2014 in Blog, eu que fiz, texto | No Comments

Vamos não falar sobre essas coisas? Na verdade, vamos não falar nada? Vou fazer esse desenho no seu braço porque é assim que pretendo me expressar e também sei que assim a gente não vai brigar. Baby, a gente é bem melhor e maior e mais incrível que isso. Presta atenção: vou aumentar o volume agora que é pra não ter espaço de conversa. Se tem uma coisa de que a gente não precisa agora é diálogo. Para de me julgar porque eu não quero conversar. Conversar é superestimado e nem sempre é a melhor solução. Liguei dezessete pontos no seu braço, presta atenção no protetor solar. Presta atenção em mim. Quando foi a última vez que, não, não. Desculpa, eu não vou abrir essa gaveta do você-sempre-eu-nunca até porque isso causa esse alívio imediato de descompressão, mas também estraga mais do que ajeita. Eu quero dar um jeito de ficar confortável no seu abraço e sem mais perguntas. Acho que foi por isso que eu resolvi parar em você: era fácil ficar confortável em você. Isso quer dizer que eu sou autoridade em comodismo ou significa que nós fomos feitos um para o outro? Sim, desculpa, eu que falei que não queria conversar. Mas você acha que a gente é pra ser? Eu prefiro pensar que não dependo de você, mas toda vez que esse pensamento se apresenta, eu sei que lá no fundo ele está com medo de ser. Baby, talvez eu precise de você mais do que eu queira e agora vou perguntar mesmo: será que isso é amor? Tudo bem se não for, né? Não é que você esteja deixando de ganhar o amor maior da vida só porque está comigo, digo, isso aqui também é bom pra você ainda que não seja amor de novela, certo? Então tudo bem. Tudo bem a gente ter uma relação simbiótica conveniente e tudo bem isso não ser amor porque a gente ainda tem tempo pro amor depois. Pelo menos a gente faz sexo. Pelo menos a gente gosta das mesmas músicas. Ainda bem. Tanta gente querendo isso e não tem.

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