Pi.

Posted by on Jun 10, 2012 in Blog, eu que fiz, texto | 2 Comments

Três. Nove cães trotavam anexos a um rapaz nitidamente preocupado com outras coisas como cirurgia dos cisos, seleção rumo ao hexa e jiló. Ele não gostava de jiló – e quem gosta?

Três ponto quatorze. No intestino da maioria dos cães, talvez em sete dos nove, vermes se multiplicavam na textura colóide do ambiente. “Tu gosta de bife?” um indagou a outro, que respondeu solenemente “qualquer coisa menos jiló”.

Três ponto quatorze, quinze. Já o rapaz tinha sardas salpicadas pelo rosto, ombros e braços. Uma delas vivia em manifesto porque se dizia russa. As outras só ignoravam. Gostavam de ler o que as professoras da escola escreviam em giz no quadro.

Três ponto quatorze, quinze, nove dois. Os cães eram devolvidos cada um na sua casa, por ordem de tamanho. O rapaz registrava o trajeto em atas para que não houvesse queixas. Ele era bom demais para aquela função, mas era ágil. Proprietários de cães e vermes gostam de agilidade e não gostam de jiló.

Três ponto quatorze, quinze, nove dois, meia cinco. Num atol ali por perto, um terço dos turistas se contorcia de cólica por conta de um grão exótico ingerido no almoço do pacote turístico. Munido de respeitável envergadura nasal, o médico da excursão pediu a todos que bebessem suco de uva.

Três ponto quatorze, quinze, nove dois, meia cinco, três cinco. O ar espalhou a notícia. O rapaz quis tomar banho frio. Tomou um tufo de cabelo entre as mãos e puxou. Nenhum caiu. Bam!, nenhum. Não precisaria mais usar aquele quepe, por fim.

Três ponto quatorze, quinze, nove dois, meia cinco, três cinco, oito nove. A vilã acordou tarde naquele dia, mas sabia que ainda havia tempo para exercitar sua maléfica motriz, mesmo que dentro da toca. Bebeu um copo de suco de jiló porque a obrigaram. Gostavam de algemas naquele reino.

Três ponto quatorze, quinze, nove dois, meia cinco, três cinco, oito nove, sete nove. O rapaz não estava passando muito bem: talvez fosse a acidez dos seus pensamentos ou o pino no joelho. Checou o cubo da vilã e parou de respirar involuntariamente. Discou números tônicos e cortou o ar com as palavras: “é melhor você vir já. É a Içara”. O outro também não suportava jiló.

2 Comments

  1. Anacris
    12/08/2012

    Opa! Precisando hexa despejar tufos de letras do tabuleiro. Meu ar falta, minha força motriz enfraquece, a coisa tá russa… É isso ou terei que comer jiló pra não bater pino.

  2. Gica Trierweiler Yabu
    13/08/2012

    tenhamo.

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