Roberta

Posted by on Oct 10, 2011 in Blog, eu que fiz, texto | No Comments

Fazia tem que não ouvia o barulho dos cavalos. Parou de respirar para dedicar a atenção ao tremor do chão e ao som que, de uma vez, preencheu todo o espaço. E havia espaço, muito espaço, não porque o lugar fosse grande, mas porque não havia muita coisa ali. Pensou que gostaria de ter nascido cavalo ao invés de Roberta porque assim não teria que morar escondida num porão. Nunca ouviu história alguma sobre cavalos vivendo em porões úmidos e com pouca ventilação, onde o calor abafava qualquer fagulha de inspiração para qualquer pensamento. Os cavalos foram embora e o silêncio voltou, como se tivesse ido buscar um café na sala ao lado. Perguntou-se quando os cavalos voltariam outra vez, mas a temperatura estava subindo e achou melhor não pensar para evitar a fadiga. Fez o que sempre fazia para se poupar nessas situações: deitou-se de costas no chão, fechou os olhos e ficou ali, apenas existindo.