Se você quer mesmo saber.

Posted by on Mar 23, 2012 in Blog, texto | No Comments

Posso resumir tudo com uma sensação de incapacidade respiratória. Se você insistir no assunto, talvez eu fale sobre os músculos que parecem ser feitos de chumbo e areia. E se você quiser saber mesmo o que está acontecendo – eu avisei – digo que faz dias que não durmo como se deve, que passo a mão pelos cabelos e metade deles se desprendem dessa cabeça que anda mais pesada do que nunca. Meus olhos captam uma fração do que realmente acontece e o que o cérebro registra é um pouco, ou seja, fração da fração, ou seja, muito pouco, você entendeu. A coluna reclama dos movimentos e posições, dormindo ou acordada. As unhas quebradiças não poderiam me defender sequer de espíritos nessas condições. As palavras me amarram no meio do discurso e somem deixando para trás apenas suas iniciais – passei sete horas até conseguir completar COERENTE ontem. Meu maior desejo é sentar no chão e ficar em silêncio por um intervalo de tempo maior que oito segundos. Mas o pior de tudo, pior que a indisposição, que unhas partidas, pior de tudo é essa cortina de tristeza que tem caído sobre meus dias. Um voil cinza e fino que me fragiliza mesmo quando tenho que ser forte, instaurando um sentimento quadrado que mistura frustração, culpa e impotência. Pode ser coisa da tiróide ou dos hormônios ou a culpa é dos agrotóxicos e anabolizantes que colocam na nossa comida como se isso fosse algo muito bom. Pode ser que eu tenha muita coisa para fazer. Ou para pensar. Ou pode ser tudo isso misturado.

Mas não se preocupe, eu ainda volto. Eu sempre volto.

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