O papel da agência e o papel do anunciante
Com a onda 2.0, concluiu-se que: 1) os consumidores estão mais falantes do que nunca e, 2) as pessoas estão buscando cada vez mais conteúdo. Jeff Hicks, CEO da Crispin Porter + Bogusky, uma agência superhipermegatchans é categórico:
“O papel da agência é criar conteúdo tão valioso e útil que as pessoas não queiram viver sem.”
Ele não é o único a se refugiar nesta saída fácil. Muito se falou a respeito lá no Proxxima 2008 e em mesas de bares de São Paulo, Florianópolis e Blumenau. O papel da agência não é criar conteúdo. O papel da agência é estimular e gerir conteúdo, isso sim. Este conteúdo valioso e útil precisa ser verdadeiro. Logo, não é um redator publicitário quem vai parir essa baleia. O conteúdo está partindo de várias fontes, minha gente: do anunciante, do cliente, da agência, do zé-da-esquina. Só falta criar o vínculo entre todas estas pessoas.
E já que estamos falando em papéis, acho muito típico dizer que o papel da agência é criar conteúdo tão valioso e útil que as pessoas não queiram viver sem. Oras bolas. Se eu vendo iPhones, nem preciso me preocupar muito com isso. Os consumidores felizes e contentes irão produzir (como já estão produzindo) pencas de conteúdos legais a meu respeito. Se eu vendo um produto zé-bolinho, que não é nem a metade de um iPhone, que tem uma série de restrições, eu faço o quê? Mando minha agência criar conteúdo valioso e útil a ponto de ser imprescindível para a existência da humanidade?
Sim, é muito bom definir os papéis das agências, mas também é preciso definir os papéis dos anunciantes. Tenho uma sugestão: o papel do anunciante é criar produtos tão valiosos e úteis que as pessoas não queiram viver sem. E assim seria o mundo perfeito.

