A real do Banco Real
O Banco Real é lindo. Se me perguntassem quais são os valores que o Banco Real me inspira, eu diria: transparência, honestidade, ética e acessibilidade. Sua comunicação é im-pe-cá-vel, sincera, tocante. Coisa de ser humano para ser humano. Eu diria até que é só trocar as assinaturas dos comerciais e anúncios para ter uma campanha pronta da Natura. De acordo com as ações de comunicação do banco, ele está disposto a ajudar seus clientes e colaboradores a realizar. Realizar sonhos, a vida, pequenas coisas, coisas imensas.
A Juliana acabou de escrever um post sobre uma experiência nada boa com o Banco Real que, como ela mesma disse, é o banco que realiza pesadelos. Mas como pode? Como pode um banco que tem iniciativas sustentáveis, que trata bem seus colaboradores, que imprime tudo em papel reciclado e que faz campanhas maravilhosas ser considerado um banco que realiza pesadelos? Fácil, fácil: esqueceram das pessoas. Neste caso, os clientes.
Estou tomando as dores da Juliana porque passei por um perrengue com o Banco Real há um tempinho. Foi no tempo da faculdade/curiosidade. Havia um quiosque do Banco Real na minha universidade, abrindo contas universitárias em troca de squeezes, revistas, chocolates e o escambau. Trocentas facilidades para os universitários. Cartão de crédito. Taxas de juros baixíssimas. Assinei a proposta.
Não demorou muito, recebi um pacotão pelo correio. Cartinhas festejando a minha adesão ao banco que se vendia com um quase sincero “Fazendo mais que o possível”, talões de cheque, cartões da conta, cartões de crédito, revistinhas. Achei bonito. Como eu já havia tido uma experiência péssima com cheques (por conta de uma febre consumista que me pega de tempos em tempos), resolvi esconder os talões no fundo da gaveta. Os cartões, nem desbloqueei. Já tinha um Mastercard via CredicardCiti que me atendia muito bem, obrigada. Estava mesmo era de mal com a Caixa Econômica Federal e queria outro banco para me servir no dia-a-dia, com operaçõezinhas bobocas como cartão de débito e afins.
Empolgada com a nova conta, fui direto à agência do Banco Real e depositei R$50. Depois disso, nunca mais apareci por lá. Por mais chata e quadrada que fosse a Caixa Econômica, ela tinha caixas eletrônicos por toda a parte e isso, amigos, conta demais. Pensei “um dia eu movimento essa conta” ou “qualquer coisa tiro o meu dinheiro de lá”.
Não demorou muito, recebi uma correspondência dizendo que estava devendo para o Banco Real. Anuidade do cartão de crédito, taxa disso, taxa daquilo. Liguei pra lá. Queria saber por que eu teria que pagar pela anuidade de um cartão de crédito que ainda estava com o adesivo amarelo “para desbloquear este cartão, ligue 0800…” em cima. Quanto às taxas, ok, mas anuidade do cartão? Ninguém soube me explicar. Ou melhor, ninguém foi capaz de me convencer. A real era que eu tinha que pagar.
Não dei bola. Então outra correspondência chegou. Minha dívida havia aumentado. Liguei para a gerente da minha conta, uma mulher jovem e simpática que em nada ajudou. A solução era pagar o que eu estava devendo. A solução era pagar mais (além dos R$50 que eu havia depositado e que evaporaram por causa das taxas & anuidades). Fui até lá. Devo ter demorado uns 10 minutos até conseguir passar pelo detector de metais. Não, eu não estava armada (embora não faltasse vontade). Ainda esperei para ser atendida por uma outra mulher, já que a minha gerente estava em horário de almoço.
Ela foi categórica. Com um sorriso querido no rosto, mas categórica: você precisa pagar o que está devendo. Desisti. Assenti. Concordei em pagar o que eu não estava devendo pra ninguém porque não agüentava mais este drama surreal. Peguei uma fila imensa, fiz o depósito, voltei à rainha simpatia com o comprovante e ela cancelou a conta.
Saí do Banco Real feliz. Realizada. Todos os meus problemas haviam terminado. Paguei tudo o que não devia para não receber mais cobranças descabidas do banco que fazia mais que o possível. Mais que o possível para me cobrar o que não poderia, mas isso não importa. Eu estava feliz e o Banco Real realizou meu sonho de viver em paz.
Continuo com a mesma conta da Caixa Econômica Federal e jamais abriria outra conta no Banco Real. Sou fã de carteirinha das suas campanhas e iniciativas, mas não corro o risco de ser enrolada de novo. Banco Real, realize. Seja tão legal e bacana quanto as suas campanhas. Cuide bem dos seus clientes.

