Fique quieta, por favor
Comprei este livro há algum tempo, em uma feira aqui em Florianópolis. Me deixei levar pelo título e pela leitura de um parágrafo aleatório. Achei que poderia valer os R$3. Foi só ontem que comecei a degustar o livro e tive uma surpresa agradável: é muito melhor do que eu pensava. O tal Raymond Carver é, de fato, muito bom ao esgotar seus personagens psicologicamente. Você afunda com eles e mergulha em suas manias.
E o livro ficou ainda melhor quando vi seu preço no site Climashopping. Está lá, arial em negrito, R$60,90.
Tags:aquisições, livros
Postado por Gica Trierweiler @ 09:57:37 am | #permalink
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Sonhos de Bunker Hill
Faz alguns bons anos que eu li Pergunte ao Pó, de John Fante. E, pasmem, só li por causa de uma mentirinha. Explico: estava eu em Blumenau, trocando corações cibernéticos com aquele que viria a ser meu atual marido. Ainda não nos conhecíamos pessoalmente, mas a vontade de se enconstar e repirar o mesmo suspiro era grande demais.
Lembro de ter pedido que ele fosse me visitar em Dogville. Impossível: estava trabalhando demais. Fiquei pensando que eu poderia tê-lo no condado de Blumenau se escolhesse as palavras certas. Repetia pra mim: basta eu escrever a frase certa no msn e ele vem. Qual seria?
Em algum momento disse que tinha a versão comentada de Alice, uma edição maravilhosa, amarela, grande, com ilustrações originais e tudo. Ele foi rápido: Só falta dizer que você também tem um Fante. Se tiver, pego o primeiro ônibus.. Fante? A sonoridade do nome me fazia lembrar de Dante, mas eu sabia que não poderia haver semelhança alguma entre os quase-homófonos. Conhecendo ou não conhecendo, tendo ou não tendo um exemplar qualquer deste tal Fante, me precipitei: Claro que tenho, pena que está emprestado.
Infelizmente ele não pôde ir. Para não passar vergonha e ser descoberta em meio à minha mentirinha apaixonada, procurei o sr. Fante na biblioteca da universidade no dia seguinte. Pergunte ao pó: eu já havia ouvido falar muito a respeito deste livro, então resolvi começar por ele mesmo. A leitura foi rápida, o livro arfava entre as minhas mãos. No fim achei interessante, mas cansado demais. Só depois me dei conta que a obra havia nascido em 1939. Muito bem, John Fante, você me ganhou.
Depois de três anos, já casada com o Tiago-Jaime, percebi que Arturo Bandini habitava nossa estante. Sonhos de Bunker Hill foi escrito em 1982 por um John Fante doente, cego, que ditou cada palavra do livro à sua esposa, responsável por materializar a obra. Arturo Bandini continua em meio aos seus conflitos, em busca da história perfeita e de um punhado de amor, mas de forma muito mais amena.
Se você ainda não leu, procure. Nem que seja em nome de uma mentirinha amorosa.

