Urgente
Urgência é aquilo que arde. Que já era pra ter sido, mas não foi ainda. Urgente é a pressa acorrentada e a vontade de abrir todos os botões da tua camisa com a força do meu pensamento. Urgente é o meu amor, que pinga em um conta-gotas desenfreado, acabando mais a cada minuto. Urgente é o meu desejo de somar o meu com o teu: corpos e sonhos e banalidades e discussões. “URGENTE!”, você grita. “URGENTE!”, meu coração se contrai. “URGENTE!”, meu corpo exclama antes que o tempo acabe.
E acaba. Na tua boca. E me desmonto nos trezentos e doze minutos mais urgentes da minha vida. E acaba. No meio da sala. E me esqueço da vontade que já passou. E acaba. No meu peito. E me perco em outro cigarro. E acaba. Acabo eu, urgente.

foto: ffffound.com
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Do meu arquivo, 13/03/06.
Tags:conto, ficção, narrativa, passado, queria ser escritora
Postado por Gica Trierweiler @ 11:50:18 pm | #permalink
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Verde Velma: Amar é…
Texto publicado no Verde Velma no dia 11/06/07
Gostar, respeitar, realizar, aceitar, admirar e dançar até a última música. Também é saber dizer não, sim, eu quero agora e não podemos ficar desse jeito. É sentir a perna amolecer, o coração esquentar e a barriga explodir em borboletas. Querer ficar junto, querer ter o seu tempo sozinho, querer. Abrir os olhos, o peito, as pernas, a cabeça. Fechar os olhos e acreditar. Acreditar em si, nos dois, nos três, nos cinco. Contar os dias. Vestir uma roupa bonita e ganhar um beijo. Receber. Dar. Amar é ter certeza de que o mundo pode acabar porque assim tá bom demais. Amar é saber que vai ter amanhã e depois e depois e depois e depois e que vai ficar sempre tudo bem, mesmo quando não estiver nada bem. Amar é fazer uma música, é abraçar e se sentir seguro, é recíproco. É fazer sexo olhando no olho, ficar pelado e não sentir vergonha. É ser você mesmo, ser uma verdade em um par. É acordar mais cedo pra ver o outro dormir. É respirar o mesmo suspiro. Beijo no nariz. Passeio bobo. Filme repetido. Amar é bobo assim.
Eu queria tudo isso, não necessariamente nessa respectiva ordem.
Tags:ficção, narrativa, verde velma
Postado por Gica Trierweiler @ 08:32:00 pm | #permalink
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Bipolares
O que aconteceu? Nada. Mesmo? Mesmo. E essa cara? É a minha cara. Fala comigo. Tô falando. O que foi que eu fiz? Nada. O que foi que você fez? Eu não fiz nada. Posso te ajudar com alguma coisa? Não. Alguém fez algo de ruim pra você? Não. Algo de bom? Não. Tá precisando de qualquer coisa? Não. Então! O que é? Nada. Você… Eu, nada. Tá chorando? Não. Tá sim. Não tô. Olha eu… Você o quê? Eu não… Não o quê? Nada. Eu só queria saber o que tava acontecendo porque você passou o dia inteiro sem me olhar direito e eu não sabia o que fazer porque você também é sempre assim imprevisível e muda de humor a toda hora e eu nunca sei o que fazer então acho que o problema é comigo daí fico perguntando pra ver se descubro alguma coisa e você sempre diz “nada”. Te amo. O QUÊ? Te amo. À merda. Sério, te amo. Verdade? Verdade. Mesmo? Mesmo. Eu também. Eu sabia. Desculpa. Desculpo.

