Dia das Mães é tudo igual
Não faz muito tempo, pesquisei milhares de campanhas assinadas por shopping centers do Brasil e do mundo para o Dia das Mães. Tudo por conta de uma concorrência que a minha agência estava participando.
Eis que percebi o seguinte: em 40% das peças, crianças se vestiam como suas mães. Em outros 35%, crianças cantavam. Uns 20% usavam pais preocupados com os presentes e, por fim, 5% se salvavam com algumas mensagens originais.
Como o meu próprio diretor de criação disse, campanhas de Dia das Mães são difíceis porque muito já foi dito, muito já foi feito. Isso é, de fato, um agravante. E só piora quando tudo se completa com um texto de cartão de presente que, em sua grande maioria, começa com a palavra “Mãe”, entoada em uma voz aveludada abujamrica.
Eu não sou mãe, mas tenho uma. Sei que o amor que a minha mãe sente por mim não se mede em presentes, ao contrário do que muitas campanhas vendem por aí. A minha mãe merece? Merece tudo, mas acho que o mais importante é o beijo-abraço-coração. Tenho certeza de que aquelas lembrancinhas que os filhos fazem na escola, como um pedaço de argila disforme pintado à guache, valem muito mais que um celular de última geração.
Quer anunciar oferta no Dia das Mães, anuncia. Mas não venha com os primeiros cinco segundos de poesia açucarada pra depois dar o bote. Congruência, minha gente, senão o oportunismo transparece.
Pode parecer jabá, mas eu vou colocar aqui o vídeo que a Neovox fez para o Dia das Mães do Beiramar Shopping. Gostei muito porque acredito que a criação desenvolveu uma campanha simples e que vai direto ao ponto, esquivando-se dos milhares de clichês que navegam por esses mares.
Tags:campanha, comunicação, publicidade, reflexões, trabalho
Postado por Gica Trierweiler @ 09:52:09 am | #permalink
4 Comentário
Criativos e referências
Todo criativo se alimenta de referências. A gente suga de tudo: filmes, músicas, pinturas, movimentos, acontecimentos: tudo. Absolutamente tudo pode nos ajudar a criar um landscape para uma peça publicitária, campanha, ação promocional, etc.
Já faz um tempo que vi uma campanha da Hope (marca de lingerie), divulgando uma nova linha chamada Hope Space. Confesso que não havia gostado do conceito, mas isso foi só até eu assistir um bom pedaço de Barbarella. Na primeira seqüência do filme, a poderosa-salva-salve Janie Fonda encanta a qualquer um com seu strip tease espacial. E então tudo fez sentido.
O marido-Tiago lembrou que ali estava a referência da campanha da Hope e, automaticamente, passei a gostar de ver a Ellen Jabour de calcinha, sutiã e capacete de astronauta (capacete, escafandro, sabe-se-lá). Então fiquei refletindo sobre a importância de saber discernir entre referências legais para você, criativo, e para mim, público-alvo em questão. Por causa de uma mera conexão dessas, passei a gostar de uma campanha que eu havia detestado. Linha tênue, não?

Dona Jabour e Hope Space.

Dona Barbarella iniciando os trabalhos.

