Tabelinha
Hoje menstruei e fiquei aliviada. Não pense, senhor leitor, que eu estava preocupada com a possibilidade de ter um punhado de células se reproduzindo loucamente no meu útero. O negócio era bem outro.
Como faz um bom tempo que não troco fluidos com outros seres humanos, o fantasma da gravidez indesejada foi assombrar outras mulheres neste ciclo. A real preocupação era com o meu humor e os dias de auto-análise. Por um momento, cheguei a pensar que poderia cogitar uma eventual passadinha no consultório do dotô-psicólogo, tamanha a quantidade de questionamentos e cobranças.
Fico me perguntando quando é que eu vou ajeitar o coração, a casa-nova, os cabelos incinerados e o resto do mundo. Fico triste, tenho vontade de chorar quietinha, de não falar com ninguém. Aí a dita-cuja chega e tudo se explica: era só mais uma TPM.
Faz 11 anos que a tensão-pré-menstrual me enlouquece a cada 28 dias.
Tags:ciclo menstrual, menstruação, reflexões, tensão-pré-menstrual, tpm, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 02:32:44 pm | #permalink
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Laços de família
Cheguei em Blumenau às exatas sete horas da manhã de ontem. Quem conhece Dogville sabe que não há horário que melhor combine com a cidade. Papai me buscou na rodoviária quase-morta com uma cuca de banana com farofa e, felizes, fomos para casa.
Cheiro, aperto, abraço no papai, na mamãe e no hermão-Yëgen. Café da manhã reforçado e os já previstos assuntos: academia, vida em são paulo, business e família. Nem sinal da hermã-Melissa pela casa. Vai pra lá, vai pra cá, conversa mais, experimenta um pedacinho disso, olha só aquilo, a euforia de pertencer de novo, mesmo que por dois dias, ao meu familiar contexto blumenauer.
No almoço, participação especial do pedaço da família que mora na Itália. Tio, tia, primo, priminho e primona. Lasagna hiperbólica, vinho, lareira acesa e confluência de sotaques à mesa. Passeio expresso no único shopping center da cidade para comprar o presente do senhor Trierw.
Café mais que obrigatório na casa-nova da Tata, agora mais aconchegante do que nunca. Gostoso saber que ela está bem e feliz e empolgada e leve. Gostoso o café com bolo de fubá e gostoso demais o nosso papo (como sempre).
Voei para casa e apertei a bunda dura da hermã-Melissa. Tirei mamãe da cama e saímos para beber uns drinks e conversar. Só as meninas. Naturalmente, mamãe e eu tínhamos o objetivo de ampliar os horizontes da hermã-Melissa. Uma coca-cola, uma caipirinha e um chopp Eisenbahn entre lágrimas, bufadas e expectativas discrepantes.
Hermã foi embora com o namorado-teenager-dreamboy. Mamãe e eu trocamos um par de confissões, pagamos a conta e fomos para casa. Nos amontoamos no sofá da sala junto ao Yëgen. Pequenos sob um edredon pesado e velho, ríamos e debatíamos o desempenho asiático nas modalidades de ginástica olímpica.
Daqui a pouco tem almoço com tooooda a família. Estou levando na manga algumas respostas de que vou precisar para dobrar perguntas do tipo “mas e o seu marido”, “nossa! loira?”, “mas e são paulo? conta tudo!”, “é violento mesmo?”, “e a casa-nova?”. Saudades deles. É um tipo de energia que sai do caos ítalo-tupiniquim, das mãos balançando, das gargalhadas conhecidas, das velhas piadas e que entra diretamente em mim. O pulmão respira melhor e o coração fica quentinho. Família, coisa legal, essa.
Tags:família, reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 11:09:56 am | #permalink
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Eyelids
Foi uma das minhas dicas no Podbility que gravamos ontem. Eyelids é um curta-metragem da Look at Rubish, que acaba de ganhar um prêmio no Festival de Curtas de Cannes. Duas lágrimas rolaram, discretinhas. Os suspiros, ah, esses chamaram alguma atenção.
Tags:coisas legais, reflexões, vida, video
Postado por Gica Trierweiler @ 01:33:50 pm | #permalink
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Anotações para uma próxima
Façam de conta que há um monte de coisas escritas aqui.
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Preferi deixar assim para não causar polêmica.
Tags:coração apertado, reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 08:10:38 pm | #permalink
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Um, dois, três.
Chegou a hora. Levanta? Não levanta. Quer? Quer, mas não pode. Pode, mas não consegue. Até consegue, mas não quer. Fuma? Mais um, dois, três cigarros. Rasgando a garganta, os planos e tantas certezas.
Pára? Tenta, um pouco. Então grita e vê se ajuda. Não pode? Pode. Pode, mas não quer. Quer, mas não consegue. Os vizinhos vão acordar com as batidas do seu coração. Escuta? O que sobrou?
As unhas roídas, os cabelos amassados, a maquiagem derretida pelo rosto e o cheiro. Cheiro de. Quatro, cinco, sete cigarros. Furo na meia-fina, outro café-sem-açúcar-por-favor. Sorriso amarelo diante de. O oitavo cigarro acaba na metade.
Ah, o telefone. Toca? Não toca. Liga? Não consegue. Álcool? Não, saída fácil. Pára e pensa. Respira. Um, dois, três, conta? Conta. Fecha os olhos? Fecha. Espera o tempo passar?
Tags:contos, ficção, reflexões
Postado por Gica Trierweiler @ 06:32:39 pm | #permalink
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Ecodever
Quando eu morava lá em Florianópolis, cumpria meu dever com o planeta usando sacolas retornáveis e separando o lixo. Como já são dois meses que eu estou em São Paulo, sem casa e, por conta disso, sem hábitos domésticos, resolvi atuar de outro jeito.
Faz um mês que só abasteço o Branc’ com álcool.
Tags:atitude sustentável, álcool, combustível, reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 10:18:15 am | #permalink
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Pra você, Gica Trierweiler
Não, meu nome não é Gica. Gica é apelido que nasceu há mais de dez anos. Ficou, pegou e se disseminou. Não sei se foi por causa disso exatamente, mas a questão é que eu detesto quando me chamam pelo meu nome de verdade.
Ao contrário do que você deve estar imaginando, eu adoro o meu nome. E é por isso mesmo que eu prefiro não dizê-lo. Para mim, chamar alguém pelo nome é tão, mas tão íntimo, que virei adepta do apelidos recíprocos. Você me chama de Gica e eu te chamo de Oct, Vicentino, Ju, Anacris, Ricoleto, Dan, Tata, Carol, Baunilha e por aí vai. Poucas são as pessoas que me chamam pelo nome e que assim seja.
Quer ser meu amigo? Pra você, Gica Trierweiler.
Tags:gica trierweiler, reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 11:00:29 am | #permalink
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Cifras
Sempre tem uma música. Você está em alguma livraria, na rua, no ponto de ônibus e ela começa a tocar. Você cai direto ao chão, em pedaços pontiagudos, e pára de respirar. Você contrai todas as suas partes e tenta pensar nas contas a pagar penduradas na porta da geladeira, nas roupas que esqueceu de buscar na lavanderia, no lixo reciclável que você misturou - de novo - com o lixo orgânico.
O ar já mudou de textura e agora é tarde. Você está chorando outra vez e prometeu que não faria mais. Aproveita porque essa, essa é a última. A última vez que você lembra do que não podia ao som de você sabe o quê.
Tags:conto, ficção, reflexões
Postado por Gica Trierweiler @ 12:25:04 pm | #permalink
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Don’t Panic
Adorei o Guia do Mochileiro das Galáxias. Faz um tempo que li os cinco volumes (ou quatro mais um, de acordo com os mais puristas) e, vez ou outra, me pego rindo sozinha por conta de alguma passagem que me vem à cabeça.
Marvin, o paranoid android, é meu personagem favorito. Por conta disso, o mantra semanal vai com ele:

Tags:don't panic!, reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 11:23:23 am | #permalink
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A beautiful revolution

Pérolas encontradas no blog de Andre Jordan, um ilustrador do além-Brasil. A beautiful revolution tem um delicioso senso de humor e dá vontade de comer de colherinha.
Tags:gringolândia, ilustração, reflexões
Postado por Gica Trierweiler @ 10:45:21 am | #permalink
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Mantra semanal

Tags:reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 10:31:02 am | #permalink
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Relógios
Desde que eu vim pra cá, meu relógio biológico se desorientou. Por conta disso, geralmente me surpreendo com o horário: para mim, o tempo está passando muito mais rápido que o normal.
O computador não me deixa dormir antes das duas da manhã. Acordo a cada hora e me pego verificando a caixa de entrada de e-mails. Ser nerd já era demais pra minha cabeça, agora, nerd sonâmbula? Credo.
Hoje à noite pretendo dormir cedo. Vou dormir antes de amanhã chegar e vou mesmo, nem que eu tenha que beber três Heinekens para isso.
Indagação Moral: Insone ou alcoólatra?
Tags:reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 10:08:19 am | #permalink
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Para fins de registro
É bom que algo aconteça com o meu coração antes que eu desista dele.
Tags:reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 02:18:45 am | #permalink
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Nunca mais.
Lembra de quando você chegou? Lembra do tamanho daquele abraço? E lembra que eu olhei pra você e disse que a gente ia pra nossa casa? Pegamos as suas coisas e entramos no carro, corações falando mais alto que todas as buzinas e os vendedores ambulantes da ilha. Tomamos um café ruim em uma padaria onde eu nunca mais voltei (talvez só uma vez mais).
Mostrei o apartamento pra você. Você achou bonito. A gente foi lá fora sentar no banquinho pra ver o mar. Te dei as chaves e fui embora, precisava trabalhar ainda. Nem trabalhei. Passei o dia inteiro precisando de você, ocupada demais esperando o relógio explodir, o prédio pegar fogo, qualquer coisa que me tirasse dali logo para voltar para o seu abraço. Para olhar pra você e ter certeza.
Te amei tanto, quase mais do que eu. Cada fio de barba, cada frase pronta, cada café-da-manhã. Te amei tanto e juro que achei que era pra sempre. Ou pelo menos por um bom tempo. O coração suspirava aliviado. Havia você na minha vida e nada mais.
Eu estou com medo porque comecei a esquecer de como você sorri e eu não queria. Eu não queria perder nada, nenhum pedacinho. Queria guardar tudo pra ter comigo. Eu queria você comigo. Todos os dias quero te buscar na agência, te beijar e perguntar o que você fez. Eu reclamaria do trânsito e você acenderia um cigarro. Lembra de como eu pegava na sua mão enquanto estava dirigindo? Eu lembro do jeito como você me olhava quando não tinha o que dizer.
Todos os dias eu quero ligar pra você e dizer que eu te amo. Eu seguro o telefone e o coração explode. Não consigo. Então eu fecho os olhos e desejo que você esteja bem. Quando a vontade não passa, eu disco os números e torço para que alguma mulher atenda o telefone. Ou para que você me diga que nunca mais quer falar comigo. Não sei o que doeria mais.
Talvez o mais triste de tudo isso seja o fato de eu não saber lidar com você. Por que você mentiu? Não podia. Não podia mentir porque isso eu não sei perdoar, não sei arrumar, não sei como agir. Eu fico com medo e vou embora, como eu fiz. O coração aos pedaços, os olhos lavados. Raiva de mim, por não saber consertar o que você fez. Raiva de você por me fazer deixar de gostar de você.
Se eu pudesse pedir uma coisa, seria o seu abraço. E o seu sorriso no meio do nosso beijo, da nossa casa, da nossa vida que não existe mais. Agora eu estou aqui e você está aí, como se nada tivesse acontecido. Como se eu pertencesse a essa cidade desde sempre, como se eu nunca tivesse ouvido o seu nome, como se eu não sentisse saudades, como se eu não te amasse.
Eu te amo. Eu sei que eu não posso, mas eu te amo. Se você me perguntar, eu vou negar, mas eu te amo. Sim, os dias têm sido maravilhosos, sim, a minha vida está fantástica, mas falta você. E eu vou passar os próximos dias, semanas e meses tentando esquecer a coisa mais bonita que eu já vivi porque eu não quero te ver nunca mais.
Tags:reflexões, vida
Postado por Gica Trierweiler @ 03:15:12 am | #permalink
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Reflexivos

Bonito, isso. Achei no ffffound.

