agosto 5, 2008

Anotações para uma próxima


Façam de conta que há um monte de coisas escritas aqui.

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Preferi deixar assim para não causar polêmica.



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Postado por Gica Trierweiler @ 08:10:38 pm | #permalink

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julho 27, 2008

Um, dois, três.


Chegou a hora. Levanta? Não levanta. Quer? Quer, mas não pode. Pode, mas não consegue. Até consegue, mas não quer. Fuma? Mais um, dois, três cigarros. Rasgando a garganta, os planos e tantas certezas.

Pára? Tenta, um pouco. Então grita e vê se ajuda. Não pode? Pode. Pode, mas não quer. Quer, mas não consegue. Os vizinhos vão acordar com as batidas do seu coração. Escuta? O que sobrou?

As unhas roídas, os cabelos amassados, a maquiagem derretida pelo rosto e o cheiro. Cheiro de. Quatro, cinco, sete cigarros. Furo na meia-fina, outro café-sem-açúcar-por-favor. Sorriso amarelo diante de. O oitavo cigarro acaba na metade.

Ah, o telefone. Toca? Não toca. Liga? Não consegue. Álcool? Não, saída fácil. Pára e pensa. Respira. Um, dois, três, conta? Conta. Fecha os olhos? Fecha. Espera o tempo passar?



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Postado por Gica Trierweiler @ 06:32:39 pm | #permalink

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julho 23, 2008

Ecodever


Quando eu morava lá em Florianópolis, cumpria meu dever com o planeta usando sacolas retornáveis e separando o lixo. Como já são dois meses que eu estou em São Paulo, sem casa e, por conta disso, sem hábitos domésticos, resolvi atuar de outro jeito.

Faz um mês que só abasteço o Branc’ com álcool.



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Postado por Gica Trierweiler @ 10:18:15 am | #permalink

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julho 22, 2008

Pra você, Gica Trierweiler


Não, meu nome não é Gica. Gica é apelido que nasceu há mais de dez anos. Ficou, pegou e se disseminou. Não sei se foi por causa disso exatamente, mas a questão é que eu detesto quando me chamam pelo meu nome de verdade.

Ao contrário do que você deve estar imaginando, eu adoro o meu nome. E é por isso mesmo que eu prefiro não dizê-lo.  Para mim, chamar alguém pelo nome é tão, mas tão íntimo, que virei adepta do apelidos recíprocos. Você me chama de Gica e eu te chamo de Oct, Vicentino, Ju, Anacris, Ricoleto, Dan, Tata, Carol, Baunilha e por aí vai. Poucas são as pessoas que me chamam pelo nome e que assim seja.

Quer ser meu amigo? Pra você, Gica Trierweiler.



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Postado por Gica Trierweiler @ 11:00:29 am | #permalink

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julho 20, 2008

Cifras


Sempre tem uma música. Você está em alguma livraria, na rua, no ponto de ônibus e ela começa a tocar. Você cai direto ao chão, em pedaços pontiagudos, e pára de respirar. Você contrai todas as suas partes e tenta pensar nas contas a pagar penduradas na porta da geladeira, nas roupas que esqueceu de buscar na lavanderia, no lixo reciclável que você misturou - de novo - com o lixo orgânico.

O ar já mudou de textura e agora é tarde. Você está chorando outra vez e prometeu que não faria mais. Aproveita porque essa, essa é a última. A última vez que você lembra do que não podia ao som de você sabe o quê.



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Postado por Gica Trierweiler @ 12:25:04 pm | #permalink

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julho 14, 2008

Don’t Panic


Adorei o Guia do Mochileiro das Galáxias. Faz um tempo que li os cinco volumes (ou quatro mais um, de acordo com os mais puristas) e, vez ou outra, me pego rindo sozinha por conta de alguma passagem que me vem à cabeça.

Marvin, o paranoid android, é meu personagem favorito. Por conta disso, o mantra semanal vai com ele:

Marvin, don't panic



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Postado por Gica Trierweiler @ 11:23:23 am | #permalink

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julho 7, 2008

A beautiful revolution


A beautiful revolution

Pérolas encontradas no blog de Andre Jordan, um ilustrador do além-Brasil. A beautiful revolution tem um delicioso senso de humor e dá vontade de comer de colherinha.



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Postado por Gica Trierweiler @ 10:45:21 am | #permalink

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julho 7, 2008

Mantra semanal


Let go



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Postado por Gica Trierweiler @ 10:31:02 am | #permalink

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junho 17, 2008

Relógios


Desde que eu vim pra cá, meu relógio biológico se desorientou. Por conta disso, geralmente me surpreendo com o horário: para mim, o tempo está passando muito mais rápido que o normal.

O computador não me deixa dormir antes das duas da manhã. Acordo a cada hora e me pego verificando a caixa de entrada de e-mails. Ser nerd já era demais pra minha cabeça, agora, nerd sonâmbula? Credo.

Hoje à noite pretendo dormir cedo. Vou dormir antes de amanhã chegar e vou mesmo, nem que eu tenha que beber três Heinekens para isso.

Indagação Moral: Insone ou alcoólatra?



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Postado por Gica Trierweiler @ 10:08:19 am | #permalink

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junho 16, 2008

Para fins de registro


É bom que algo aconteça com o meu coração antes que eu desista dele.



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Postado por Gica Trierweiler @ 02:18:45 am | #permalink

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junho 2, 2008

Nunca mais.


Lembra de quando você chegou? Lembra do tamanho daquele abraço? E lembra que eu olhei pra você e disse que a gente ia pra nossa casa? Pegamos as suas coisas e entramos no carro, corações falando mais alto que todas as buzinas e os vendedores ambulantes da ilha. Tomamos um café ruim em uma padaria onde eu nunca mais voltei (talvez só uma vez mais).

Mostrei o apartamento pra você. Você achou bonito. A gente foi lá fora sentar no banquinho pra ver o mar. Te dei as chaves e fui embora, precisava trabalhar ainda. Nem trabalhei. Passei o dia inteiro precisando de você, ocupada demais esperando o relógio explodir, o prédio pegar fogo, qualquer coisa que me tirasse dali logo para voltar para o seu abraço. Para olhar pra você e ter certeza.

Te amei tanto, quase mais do que eu. Cada fio de barba, cada frase pronta, cada café-da-manhã. Te amei tanto e juro que achei que era pra sempre. Ou pelo menos por um bom tempo. O coração suspirava aliviado. Havia você na minha vida e nada mais.

Eu estou com medo porque comecei a esquecer de como você sorri e eu não queria. Eu não queria perder nada, nenhum pedacinho. Queria guardar tudo pra ter comigo. Eu queria você comigo. Todos os dias quero te buscar na agência, te beijar e perguntar o que você fez. Eu reclamaria do trânsito e você acenderia um cigarro. Lembra de como eu pegava na sua mão enquanto estava dirigindo? Eu lembro do jeito como você me olhava quando não tinha o que dizer.

Todos os dias eu quero ligar pra você e dizer que eu te amo. Eu seguro o telefone e o coração explode. Não consigo. Então eu fecho os olhos e desejo que você esteja bem. Quando a vontade não passa, eu disco os números e torço para que alguma mulher atenda o telefone. Ou para que você me diga que nunca mais quer falar comigo. Não sei o que doeria mais.

Talvez o mais triste de tudo isso seja o fato de eu não saber lidar com você. Por que você mentiu? Não podia. Não podia mentir porque isso eu não sei perdoar, não sei arrumar, não sei como agir. Eu fico com medo e vou embora, como eu fiz. O coração aos pedaços, os olhos lavados. Raiva de mim, por não saber consertar o que você fez. Raiva de você por me fazer deixar de gostar de você.

Se eu pudesse pedir uma coisa, seria o seu abraço. E o seu sorriso no meio do nosso beijo, da nossa casa, da nossa vida que não existe mais. Agora eu estou aqui e você está aí, como se nada tivesse acontecido. Como se eu pertencesse a essa cidade desde sempre, como se eu nunca tivesse ouvido o seu nome, como se eu não sentisse saudades, como se eu não te amasse.

Eu te amo. Eu sei que eu não posso, mas eu te amo. Se você me perguntar, eu vou negar, mas eu te amo. Sim, os dias têm sido maravilhosos, sim, a minha vida está fantástica, mas falta você. E eu vou passar os próximos dias, semanas e meses tentando esquecer a coisa mais bonita que eu já vivi porque eu não quero te ver nunca mais.



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Postado por Gica Trierweiler @ 03:15:12 am | #permalink

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maio 30, 2008

Reflexivos


Reflection

Bonito, isso. Achei no ffffound.



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Postado por Gica Trierweiler @ 08:20:21 am | #permalink

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maio 29, 2008

Living inside a box


Deve estar fazendo um mês que eu não tenho uma casa. Calma, calma, eu não estou dormindo embaixo do viaduto.

Passei os últimos 20 dias de Florianópolis na casa da Anacris, a melhor marida de todos os tempos. Digo que foi imprescindível. A Ana é uma coisa de tão bacana e as crianças são ótimas. Por mais que eu estivesse em meio a uma puta revolução emocional, consegui agüentar o tranco numa boa porque me deixei absorver pelas rotinas da casa. Tarefa com as crianças, passeios, passatempos e tudo mais. Acho que nem mesmo a Ana sabe o tamanho do bem que ela me fez.

Aqui em São Paulo fui adotada pela família Julinha. São todos uns amores, na forma mais literal possível. Por sorte, coincidência, ou coisa do destino, a Julinha trabalha do ladinho da Bullet. Saímos de casa e voltamos juntas quase todos os dias.

Tanto Ana quanto Julinha são especiais. Me deram e estão me dando o maior apoio nessa grande mudança de plataforma. Estou pensando em tatuar o nome de ambas no meu cotovelo (ou algo equivalente).

Julinha e eu estamos procurando um apartamento para dividir. Nossa primeira busca não nos deixou muito felizes (até porque terminou na delegacia), mas o próximo fim de semana reserva mais surpresas. Quem sabe…

Ontem cheguei em casa sozinha e passei um bom tempo no meu quarto-postiço. Fiquei pensando em tudo o que aconteceu no último mês. De repente uma tristezinha começou a se espreguiçar e eu respirei fundo. Com tanta coisa acontecendo, acabei deixando o coração de lado. Esqueci de digerir o grande nó que fez terminar um casamento que tinha tudo pra ser feliz (aparentemente).

Então eu me dei conta de que não adianta empurrar as coisas com a barriga e que, apesar de todo o resto da minha vida estar lindo, preciso do meu tempo para curar minhas metáforas. Tempo, aquele bendito tempo, que custa a passar nessas horas. Paciência.

Talvez eu precise passar mais tempo sozinha. Deve ser isso.



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Postado por Gica Trierweiler @ 09:33:04 am | #permalink

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maio 21, 2008

Associação de Blogueiros Anônimos


Eu sou declaradamente viciada em blogs. Se passo um dia sem postar, tenho faniquitos. Finalmente consegui encontrar amparo (com sotaque português) na rede. Compartilho com vocês este momento:



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Postado por Gica Trierweiler @ 02:44:57 pm | #permalink

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maio 19, 2008

Amor & outras histórias tristes (2)


Muitas pessoas têm me perguntado como eu estou. A resposta é sempre a mesma: bem. Aprendi na escola que bem é o contrário de mal (e que bom é o contrário de mau), mas acho que, nesse caso, o meu “bem” é outro.

Estou bem porque não tenho tido muito tempo pra pensar. Desde que tudo aconteceu (constatações + separação), a minha vida virou do avesso e eu tenho tentado me adequar a essa fase de transição que só vai embora quando São Paulo chegar. Enquanto gasto meu tempo com isso, não me sobra um segundo para pensar, a não ser quando me deito para dormir.

Então eu tenho que repetir mentalmente que só preciso fechar os olhos e dormir porque não adianta querer o beijo de boa noite, o abraço pesado e o carinho. Essas coisas se perderam em um passado que parece cada vez mais distante. É triste outra vez, mas acabo dormindo um pouco antes de me arrepender.

No sábado eu fui à uma festa no meu lugar favorito aqui em Florianópolis. Não estava com muita vontade de sair, mas era uma ocasião especial: aniversário da Anacris (e uma boa oportunidade para me despedir de algumas poucas pessoas legais daqui). Detestei do início ao fim. Quem estava lá percebia nuvens negras instaladas sobre a minha cabeça e vinha correndo perguntar: Gica, como você está? A resposta? Bem.

Não, eu não estava nada bem porque o bar estava cheio, porque o primeiro set foi o set dos casais rockers, porque o segundo set foi o set que ele dançava comigo do início ao fim. Também não estava bem porque me senti mercadoria em exposição no mercado público, entre o fogo cruzado do flerte. Troquei a Heineken por uma Coca-cola porque àquela altura dos acontecimentos, cerveja não poderia me fazer bem.

Eu estava bonita, com saia de bolas e maquiagem-boneca. Passei um bom tempo encostada pelas paredes, observando. Queria mesmo era preencher esse tempo de outro jeito, naquele mesmo lugar, mas… vocês entenderam. Não, não peguei ninguém: seria terrível transferir essa angústia a um pára-quedista que só estava a fim de sexo. Também seria péssimo acordar no outro dia em alguma cama e passar o próximo mês me arrependendo.

Eu sempre fui a favor do sexo casual e das vontades livres, assim como costumava acreditar em amor. Desde que eu cortei os tendões que seguravam uma relação delicada, não sei mais o que pensar a respeito disso. A única coisa que eu sei é que não posso mais voltar atrás e que não quero ninguém por enquanto. E assim será até que eu fique bem de verdade, do jeito que a professora ensinou.



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Postado por Gica Trierweiler @ 10:02:47 am | #permalink

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