Opinião: First life, amigos.
Texto publicado no TLabReport, o blog do TalentLab, no dia 13/07/07
Agências se fundem, verticalizam, mudam seus slogans. Anunciantes renovam as grades de produtos, fazem pesquisas de todos os tipos. Enquanto tudo isso acontece, a massa está blogando, se relacionando em redes virtuais, visitando civilizações inóspitas, comendo peixe vivo. Em resumo, é o caos.
Qual é o novo rosa da comunicação? A pergunta que retumba pelos nossos mares. Aos rebanhos, todos se instalam no Second Life. De repente, um novo alarme: blogs. O jornal impresso já era? Campanha viral no YouTube? Guerrilha! O que diabos a gente pode fazer com a tecnologia blue tooth? Alguém?
O bendito avanço tecnológico que prometeu (e até promoveu) melhoras significativas nas nossas vidas acabou detonando uma bomba atômica na gente, pobres escravos da comunicação. Ainda mais depois que alguém resolveu inventar o marketing de nichos, clusters e o escambau.
Os números não mentem: temos cada vez mais internautas gerando e consumindo conteúdo próprio na rede. Todo mundo quer ser celebridade de um mundo non sense. A tal Geração M consome mídia por seis horas e meia diárias. Nunca houve tanta variedade de produtos. Os reality shows são campeões de audiência. E a cauda continua a crescer. O que fazer? Anunciar na novela?
A discussão esquenta e muitos propagam a morte da publicidade. Outros bradam que o negócio é investir em relações públicas. Os jornalistas defendem que eles é que têm que receber para fazer assessoria de comunicação. Cartápoclis: se eu tenho um produto e quero vender mais, por qual caminho eu sigo?
Erase and rewind, como diria a bonitinha Nina Person. Antes de mais nada, estamos falando de pessoas e seus relacionamentos. Uma compra nada mais é que uma troca de experiência entre pessoas. Uma entrevista de emprego? Pessoas. Uma multicampanha? Sim, elas de novo.Se você está lendo este texto, presumo que você seja uma pessoa (caso contrário, não perca tempo: vá ganhar dinheiro se exibindo no programa de auditório de maior audiência que você encontrar). Como pessoa, você dá valor à opinião de quem você conhece/admira/confia. E isso tudo pode ser resumido em uma singela paroxítona: credibilidade.
As pessoas confiam nos seus pares. Em gente de carne e osso, que acorda de manhã com mau hálito, pega ônibus, assina contratos, paga aluguel: seres humanos que não estão cobertos de photoshop e nem sempre sorriem (muito menos quando o assunto for fita adesiva para dentadura).
Você conhece os seus clientes? Sabe quem é o cara que vai entrevistar você? Está por dentro das conversas dos nichos? Aliás, você tem amigos? Muita coisa começa nos círculos sociais mais próximos, da esquina às blogosferas desse mundão. Foi assim que a dona Lais Kantor me conheceu, inclusive, e me convidou pra escrever aqui. Pra dizer a verdade, não é o caos: são só as pessoas.

